Aprofundar o debate sobre o País – Murilo Pinheiro

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Encerrada a primeira etapa das eleições, o segundo turno oferece nova oportunidade para discutir com profundidade os caminhos para o Brasil. É fundamental conhecer propostas e compromissos para um projeto nacional de desenvolvimento que combine crescimento econômico, soberania, avanço tecnológico, infraestrutura e emprego de qualidade.

O primeiro turno das eleições cumpriu uma etapa fundamental do processo democrático. Agora, a disputa pela Presidência da República entra em sua fase decisiva e deve ser aproveitada para aprofundar a discussão essencial sobre o País que se quer construir.

O período de três semanas que antecede o segundo turno, até 25 de outubro, é uma oportunidade privilegiada para finalmente colocar o desenvolvimento nacional no centro do debate eleitoral, confrontar propostas e exigir compromissos dos candidatos.

Os desafios são enormes, e o País precisa ser capaz de articular e colocar em prática um projeto que promova crescimento econômico, reindustrialização, aprimoramento da infraestrutura, inovação e desenvolvimento científico e tecnológico, visando à melhoria das condições de vida da população.

Cumprir essa meta exige a valorização da engenharia nacional. Ampliar e modernizar os sistemas de transporte, garantir energia segura e acessível, enfrentar os desafios do saneamento e da habitação, fazer a transição energética e fortalecer a indústria são tarefas que exigem conhecimento técnico, planejamento e profissionais qualificados.

Também é indispensável uma estratégia para incorporar as transformações tecnológicas em curso. Inteligência artificial, digitalização e mudanças nos processos produtivos podem representar enorme oportunidade de desenvolvimento, desde que o Brasil não se limite ao papel de consumidor de tecnologias produzidas no exterior. É preciso investir em pesquisa, formação profissional e capacidade produtiva nacional.

É isso que se espera ver discutido nesta etapa final da campanha. O segundo turno não deve se limitar à troca de acusações ou à guerra permanente nas redes sociais. A sociedade precisa conhecer claramente em que projeto estará votando.

Cabe também às entidades da sociedade civil contribuir para qualificar o debate, apresentando propostas e cobrando respostas. Democracia não se resume ao momento de depositar o voto na urna; exige participação permanente.

Esse caminho para um futuro melhor tem um mapa possível no projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, cuja edição mais recente foi lançada em junho último e entregue aos candidatos ao longo da campanha eleitoral. Sob o título “Rumo a um ciclo de expansão econômica sustentável”, a publicação traz propostas que a engenharia considera cruciais para que se dê o salto necessário rumo a uma nação soberana, próspera e justa.

Que o segundo turno seja sobretudo uma disputa qualificada sobre o futuro do povo brasileiro.

Murilo Pinheiro. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo e da Federação Nacional da categoria – FNE.