É preciso controlar as Bets – Eusébio Luis Pinto Neto

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As Bets foram legalizadas no governo Michel Temer. Durante o governo Bolsonaro elas funcionaram sem controle. O atual governo começou a impor regras à jogatina e no momento em que escrevo este artigo o Presidente Lula discute formas mais eficazes de regulamentar os jogos por plataformas online.

O fato concreto é que as Bets cresceram de forma descontrolada, sempre encontrando fortes aliados dentro do Congresso Nacional, que não querem limitações legais a esse tipo de jogo.

As Bets cresceram, virando um problema econômico, social e mental. Muitas pessoas estão endividadas, comprometendo também o orçamento das famílias. Muitas pessoas estão viciadas. E muitos desses jogadores já enfrentam graves problemas psíquicos decorrentes da dependência aos jogos.

Uma crítica comum às Bets é pela forma agressiva com que fazem propaganda, utilizando todos os meios possíveis, atingindo adultos e também crianças. As transmissões de futebol, por exemplo, estão repletas desse tipo de propaganda.

Toda vez que se busca um controle mais efetivo à jogatina, os grandes clubes de futebol reclamam. Alegam que sem as Bets os times não terão como se manter e que isso enfraqueceria o futebol brasileiro. É um argumento furado.

Nos tempos da gloriosa Seleção de 70 não existiam Bets ou esse tipo de patrocínio às equipes. E o Brasil foi tricampeão do mundo. Já na Copa do Mundo deste ano, apesar do forte patrocínio das Bets, nossa Seleção não passou das oitavas-de-final. Ou seja, a Seleção pode muito bem passar sem a parceria com as Bets.

Calcula-se que no ano passado as Bets tiraram das famílias brasileiras cerca de R$ 63 bilhões. Quase todo esse dinheiro foi parar nas mãos das plataformas digitais de jogos. Evidentemente que a situação das famílias estaria muito melhor se essa imensa massa de dinheiro tivesse ido para consumo de alimentos, roupas, bens e serviços.

É compreensível que muitas pessoas gostem de jogar – no bicho, na mega sena e em outras modalidades de jogatina. Mas o que não pode é a pessoa ficar dependente de jogo. Até porque toda dependência faz mal à nossa saúde física e mental.

Espero que o governo consiga impor regras mais rígidas às Bets ou mesmo proíba essa modalidade de jogo tão nociva às pessoas, às famílias e à população em geral. Espero que o Congresso Nacional aja com responsabilidade e aceite um regramento mais duro sobre os jogos eletrônicos.

Da mesma forma, espero que cada trabalhador ponha a mão na consciência e evite jogar dinheiro fora. O trabalhador ganha pouco e sua a camisa pra ganhar um salário irrisório. Não tem sentido pegar esse dinheiro suado e transferir para as plataformas de jogo.

Fique longe das Bets!

Eusébio Luis Pinto Neto. Presidente do Sinpospetro-RJ e da Federação Nacional dos Frentistas. E-mail: eusebiopinto@yahoo.com.br