Reflexão sobre as eleições – Artur Bueno de Camargo

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Em minha experiência de vida, trabalhei na agricultura familiar, desenvolvi várias atividades no campo e no chão de fábrica, estou há mais de 40 anos na vida sindical regional, estadual, nacional e internacional. Toda essa bagagem me faz sentir no dever de compartilhar com vocês a minha posição diante destas eleições e suas razões.

A minha decisão de votar e apoiar o candidato Lula não é novidade pra ninguém que me conhece, mesmo porque eu sempre votei e apoiei candidatos e candidatas progressistas.

Porém, eu nunca estive tão convicto desta posição como nas eleições deste ano: tenho procurado alertar sobre o risco que o Brasil e nossa população estão correndo, caso no próximo dia 4 de outubro a maioria dos eleitores não faça uma profunda reflexão antes ir às urnas votar.

Essa reflexão precisa ser feita sem paixão, sem ódio, mas com espírito coletivo. Só é possível construirmos uma sociedade com justiça social se trabalharmos a nossa mente para uma consciência de classe capaz de conceber a convivência harmônica, fraterna e solidária.

Uma sociedade com justiça social só é possível se o respeito às diferenças estiver presente em todos os momentos.

Pode parecer polêmico, mas penso que esta eleição será a mais fácil de se decidir, pois as diferenças entre os candidatos que lideram as pesquisas são enormes. As pautas defendidas por cada um deles, desde sempre, não tem nada de parecido.

Exemplos

Lula defende o pleno emprego, aumento real pro salário mínimo, a isenção do pagamento de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, a preservação do meio ambiente e a redução da jornada de trabalho pra 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1 e 2 folgas por semana, sem redução de salário. O mais importante, entretanto, está no fato de que Lula defende aquilo que um País tem de mais importante: a sua soberania!

Não tenho conhecimento de que Flávio Bolsonaro defenda qualquer uma dessas pautas.

Flávio Bolsonaro tem se declarado um entreguista, já se manifestou dizendo que, caso vença as eleições, convidará os Estados Unidos pra fazer parte da transição de poder. Muitas posições de Flávio Bolsonaro são preocupantes, mas aceitar a subordinação aos EUA significa perder a autonomia, e permitir a exploração das riquezas do Brasil beneficiando interesses pessoais e de um país colonialista, em detrimento do povo brasileiro.

Estamos a quatro dias das eleições. Antes de decidir o seu voto, façam uma reflexão sobre o País que queremos deixar para os nossos filhos, netos, bisnetos e para o futuro de todo o povo brasileiro.

Artur Bueno de Camargo. Presidente da CNTA Afins – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Alimentação.