Em 1986, houve eleições para 23 governos estaduais. Em 22, ganhou o PMDB. Só em Sergipe venceu o PFL.
Era época do Plano Cruzado, do Presidente Sarney, que havia domado a inflação e feito o controle de preços.
Mas as urnas nem tinham esfriado e Sarney liberou os preços, gerando alta generalizada e inflação.
O eleitor se sentiu traído, nunca mais votou em massa no PMDB. E o partido definhou até desaparecer.
Qual a lição? A lição é a de que na democracia não é prudente o eleitor jogar todas as fichas num só candidato ou num único grupo político. Pior ainda: numa única família.
A política é cheia de mitos. Um muito frequente é mudança. Na coletiva de imprensa, ainda no domingo à noite, Flávio Bolsonaro diz que o Brasil quer mudanças.
Vamos ver se ele fala a verdade:
- Flávio é contra a mudança na escala 6×1, que daria mais um dia de folga aos trabalhadores e trabalhadoras.
- É contra a mudança na jornada de trabalho, de 44 pra 40 horas semanais.
- Também é contra o SUS, e acena com mudanças que precarizam nosso Sistema de Saúde, um dos melhores do mundo.
- Outra mudança viria pela reforma da Previdência, com mais cortes em benefícios de aposentados e pensionistas.
- Cortes. O candidato fala em cortar R$ 204 bilhões em despesas. Qual o risco? Cortar da Saúde e da Educação, lesando os mais pobres.
Na vida é assim: quem quer mudar tudo acaba não mudando nada, gera crises e piora a situação do País.
Mas existem mudanças necessárias? Sem dúvida.
Algumas:
1) Juros – Baixar fortemente a taxa Selic, reduzindo a ciranda financeira, que só beneficia a elite rentista.
2) Ricos – Taxar as grandes fortunas, para que os muito ricos ajudem a distribuir parte de sua riqueza ao País.
3) Reindustrialização – Investir fortemente no parque industrial brasileiro, agregando ganhos de produtividade, mais tecnologia e gerando melhores empregos.
4) Sistema S – Utilizar os bilhões do Sistema para um programa nacional de formação e qualificação da mão-de-obra. Trabalhador qualificado ganha mais e fica mais tempo empregado.
5) Mulheres – Baixar os índices de agressão e principalmente de feminicídio, salvando vidas. E agravar as penas aos agressores.
6) Reforma agrária – Dar um pedaço de terra a cada família rural, fortalecer a agricultura familiar e produzir mais alimentos, baixando o preço da comida.
No meu entender, quem tem mais condições de fazer mudanças de verdade é o Presidente Lula. Por isso, ele é combatido pelo chamado mercado, pelos especuladores e por toda a corja que gravita em torno do crime organizado.
Todos nós podemos algum dia ser enganados. Mas atenção: não temos o direito de nos iludir.
Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.









