Não vote no opressor! – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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Os direitos são a propriedade do povo. Esse ensinamento era repetido sempre pelo Dr. Aníbal Fernandes, um histórico advogado trabalhista e notável especialista em Direito Previdenciário.

O que ele dizia no passado não perdeu a atualidade. Até porque o povo não tem ações de grandes empresas, não tem boiada, não tem fazendas. O que o povo tem são seus direitos, e é por meio deles que a pessoa consegue garantir renda, comprar uma casa, fazer uma pequena poupança e também obter sua aposentadoria.

Mas direito não é um conceito abstrato. O direito a um piso salarial metalúrgico, por exemplo, impede a pessoa de ganhar só o salário mínimo. O direito às férias e ao abono de 1/3 permite desfrutar mais dos 30 dias de descanso. A multa de 40% sobre o FGTS, em caso de demissão, ajuda a pessoa a enfrentar o período em que ela não terá mais a garantia do salário mensal. O seguro-desemprego também é outro direito que tem peso efetivo na vida do trabalhador.

Um direito importante é o de organizar-se em sindicato. Veja que é o sindicato quem coordena as negociações coletivas ou os acordos para pagamento de PLR em cada empresa. Essa negociação coletiva livra o trabalhador do abuso patronal. O sindicato também pode, por meio do substituto processual previsto na Constituição, ingressar com ação judicial em nome de todos os trabalhadores, sejam sindicalizados ou não.

Por que falo em direitos e destaco sua importância? Porque o programa de governo da direita é um ataque descarado aos trabalhadores. Entre outras barbaridades, Flávio Bolsonaro propõe o pagamento por hora. Com isso, nem o salário mínimo seria mais garantido ao empregado. Ele também promete uma reforma da Previdência, elevando para 70 anos a idade mínima para a aposentadoria.

Essas maldades todas já foram implantadas no Chile e, mais recentemente, na Argentina. Dias desses, a TV mostrou a situação dos aposentados argentinos. Muitos madrugam no entorno do Mercado Central de Buenos Aires, na esperança de pegar um pedaço de fruta ou legume jogado no lixo pelos comerciantes locais.

Flávio Bolsonaro diz que a CLT está velha. Ele mente. Criada em 1943 por Getúlio Vargas, a CLT passa por constantes atualizações. Exemplo disso ocorreu em 1988, quando os direitos conquistados na Constituição foram incorporados à CLT. Outro exemplo é a Lei da Participação nos Lucros e/ou Resultados (PLR), que, a partir de 2001, passou a integrar a CLT.

Não tenha ilusões. Uma parte da elite brasileira é escravagista, não respeita o ser humano que sua a camisa, produz e gera lucro para a empresa. Essa elite tem dado apoio total ao filho do Bolsonaro, que até já falou em alterar a Constituição, ou seja, dar um golpe de Estado.

Sim, eu sei que tem trabalhador bolsonarista. É um direito da pessoa. Mas eu digo que essa pessoa é manipulada por políticos desonestos. E mais: eu garanto que, se essa pessoa for devidamente esclarecida, jamais votará na direita, porque estará votando contra sua própria dignidade e o futuro da sua família.

Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.