A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) lança revista alusiva aos seus 80 anos. Uma das mais tradicionais e sólidas Confederações brasileiras, a entidade avalia sua trajetória e também traça planos para o futuro.
Nesta segunda, 19, a Agência Sindical ouviu José Reginaldo Inácio, eletricitário de Minas Gerais, que hoje preside a CNTI, durante anos dirigida pelo histórico José Calixto Ramos.
A Confederação, entre outras ações, teve uma atuação destacada durante a Assembleia Nacional Constituinte, quando ajudou a reafirmar o padrão de organização sindical, hoje contemplada no Artigo 8º da Constituição.
A esse respeito, o presidente Reginaldo comenta: “A organização sindical, com unicidade e por categoria, ganha ainda mais relevância num momento de avanço das forças de direita e dos que buscam desarticular as entidades representativas dos trabalhadores”.
Para o sindicalista, o Brasil tem a tarefa urgente de reindustrializar-se. Ele considera importante a NIB (Nova Indústria Brasil), mas observa que “o programa ficou muito restrito aos interesses do governo e da indústria, sem ouvir o trabalhador e contemplar nossos pontos de vista e interesses”.
Conhecida por seus cursos de qualificação e formação sindical, a Confederação viu-se obrigada a reduzir esse investimento, como consequência da reforma trabalhista de 2017, que afetou duramente as finanças sindicais.
Para o presidente da CNTI, “o sistema S poderia ser mais efetivo na qualificação profissional, incluindo também a formação do trabalhador, reservando mais espaço para sua participação no próprio processo industrial”. A presença sindical no Sistema S, ele avalia, é insuficiente.
Em setembro, a Confederação realizou a Plenária Nacional CNTI 80 Anos, em Luziânia (GO), com participação, entre outros, da presidente do Diap, Rita Serrano, e André dos Santos, da assessoria parlamentar do órgão. O evento abordou temas como a precarização das relações de trabalho, pejotização, impactos da inteligência artificial, redução da jornada, formação sindical e a necessidade de renovar a participação de mulheres e jovens nas entidades. O evento produziu a Carta de Luiziânia.
Pedagogo, com diversos cursos superiores, entre os quais Mestrado e Doutorado, sempre ligados a temas voltados ao mundo do trabalho, José Reinaldo Inácio prega a formação continuada dos dirigentes sindicais. Para o presidente da CNTI, uma das tarefas da entidade é “fortalecer os Sindicatos, ampliar a participação das bases e garantir que os avanços tecnológicos e produtivos se traduzam em melhores condições de vida para os trabalhadores”.
80 anos – A CNTI foi fundada em 19 de julho de 1946.
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