Davi Alcolumbre sabe que, num governo Bolsonaro, não será mais presidente do Senado. Esse posto ficará para Rogério Marinho (RN), homem forte do bolsonarismo. O que isso tem a ver com a votação da PEC 221 (quarta-feira), que acaba com a escala 6×1 e estabelece jornada de 40 horas? Muito. O enfraquecimento de Alcolumbre pode fazer com que ele se engaje pela aprovação da PEC.
Essa avaliação é de uma fonte qualificada, com quem a Agência Sindical tratou na noite de segunda-feira. Também coincide com avaliação do jornalista Marcos Verlaine, consultor do Diap, e de outros analistas do Congresso Nacional.
A votação da PEC coloca nas cordas os senadores bolsonaristas. Se eles vetarem a PEC, terão que arcar com o desgaste perante milhões de trabalhadores. Caso votem a favor, esse recuo poderá ser entendido como manobra eleitoreira, gerando desgaste político. Em ambos os casos, Lula se beneficia.
O presidente do Senado tenta sair do isolamento político. A tendência, segundo se comenta, é que leve a voto a matéria ainda na quarta-feira, em primeiro turno. A aprovação depende de 49 votos.
A bancada governista tenta aprovar requerimento por tramitação especial, o que apressaria a votação da PEC ainda nesta semana.
Mas há um embaraço na tramitação, porque, caso sejam apreciadas as emendas de plenário, a PEC voltará ao relator, Omar Aziz (PSD-AM), para novo parecer. Nesse caso, seriam necessárias outras três sessões, além das cinco iniciais, regimentais.
Posições – O governo Lula é a favor da PEC 221. Já Flavio Bolsonaro apresentou proposta alternativa, que é lesiva aos trabalhadores. Evidentemente que a direita manobra contra a PEC 221. Mas Flávio fica no fio da navalha, ou seja, entre rejeitar a PEC 221 e apresentar o esbulho na forma da PEC 12.
O sindicalismo já está em Brasília, fazendo gestões junto ao Senado pela aprovação da PEC que acaba com a 6×1 e reduz pra 40 horas a jornada.









