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quinta-feira, 15/10/2026
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Flávio não defende o trabalhador!

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Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro

Centrais Sindicais divulgam nota sobre o suposto apoio de Flávio Bolsonaro ao fim da escala 6×1. Confira agora a íntegra da nota, publicada dia 14.

“Há apenas cinco meses, em maio, Flávio Bolsonaro criticou a proposta pelo fim da escala 6×1. Durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios ele defendeu uma jornada flexível: “Por que não é o trabalhador que, conforme as suas necessidades, é quem pode escolher sua jornada de trabalho? Muitas pessoas querem trabalhar mais, e o fim da escala 6×1 pode engessar quem quer trabalhar mais”, disse.

Sabemos que o trabalhador sozinho, não tem condições de negociar jornada, salário e direitos diretamente com o patrão em igualdade de condições. A necessidade de manter o emprego limita seu poder de negociação e dificulta a conquista de melhores condições de vida.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o vice-presidente Geraldo Alckmin explicou o modelo de jornada defendido por Flávio: remuneração por hora, com convocação conforme a necessidade da empresa.

Alckmin comparou esse modelo à dinâmica do futebol: a empresa teria uma espécie de banco de reservas de trabalhadores, acionados conforme a demanda. Sem jornada fixa, trabalhar-se-ia alguns dias no mês, sem convocação nos demais. A remuneração dependeria da quantidade de horas efetivamente trabalhadas e, nos meses com poucas convocações, poderia receber menos do que um salário mínimo.

Além da remuneração por hora, o plano de governo de Flávio propõe medidas que podem aprofundar a precarização do trabalho, como a contratação de jovens a um custo menor e a redução dos custos trabalhistas para as empresas. A ênfase na negociação individual também pode enfraquecer a organização coletiva dos trabalhadores, que dependem do emprego e têm pouca margem pra negociar. Somam-se a isso propostas de revisão das previdenciárias, com redução dos reajustes das aposentadorias.

Já o plano de Lula reúne compromissos que não constam no de Flávio Bolsonaro: fim da escala 6×1 e redução da jornada pra 40 horas, sem redução salarial; política permanente de valorização real do salário mínimo; combate à pejotização fraudulenta; regulamentação do trabalho por aplicativos e plataformas digitais; igualdade salarial entre homens e mulheres; e combate ao trabalho infantil e ao trabalho análogo à escravidão.

A repentina mudança de posição de Flávio sobre o fim da escala 6×1 levanta dúvidas, pois não condiz com as seu plano de governo. Ele já afirmou, inclusive, que, se eleito, defenderá a revisão da medida, conforme foi noticiado em meios de comunicação nesta quarta-feira (14).

Diante disso, há motivos para questionar a sinceridade de seu apoio ao fim da escala 6×1. Seu discurso busca conquistar o voto do trabalhador, mas as propostas que apresenta apontam para o enfraquecimento dos direitos.

Brasília, 14 de outubro de 2026.

Sérgio Nobre, presidente da CUT. Miguel Torres, Força Sindical. Ricardo Patah, presidente da UGT. Adilson Araújo, presidente da CTB. Antonio Neto, presidente da CSB. Sônia Zerino, presidente da Nova Central. Nilza Pereira, secretária-geral da Intersindical Central. José Gozze, presidente da Pública”.