Primavera? – João Guilherme Vargas Netto

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Quais surpresas nos trará a primavera? Do jeito que as coisas estão será uma mistura de um gélido inverno, um tórrido verão e um desolado outono.

Para os trabalhadores a situação é desesperadora e, em certos aspectos, desmoralizante.

O desemprego desorganiza e amedronta, o salário despenca e os direitos são pisoteados; sopra um vento mau contra a classe.

Para o movimento sindical, que representa o núcleo duro do mundo do trabalho, as dificuldades são terríveis.

Há uma contradição entre o conjunto das tarefas a serem enfrentadas – tarefas que dizem respeito à toda mala vita dos trabalhadores – e a capacidade de ação dos sindicatos, limitada ainda aos representados formais e ainda mais pelo garroteamento sucessivo dela.

A luta de classes torna-se feroz, não porque se manifeste polarizada e conflitiva, mas porque os trabalhadores sofrem danos cruéis, não há como contê-los e o mal estar fermenta. Há uma ilusória calmaria na superfície que desorienta ainda mais os ativistas.

E, no entanto, é preciso lutar “atento às perseguições do porto”, como cantou o poeta Capinam, que hoje luta pela vida e contra o plano de saúde privado que o atende.

As tarefas do cotidiano precisam e devem ser enfrentadas sem grandiloquência estéril e movimentismo inócuo, com espírito unitário de resistência. Cada dia conta e a soma, se bem feita, produzirá resultados satisfatórios com o restabelecimento do verdadeiro pacto social de respeito aos trabalhadores e ao movimento sindical.

João Guilherme Vargas Netto – Consultor sindical e membro do Diap.

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