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Trabalhador deve estar no centro das decisões climáticas – Miguel Torres

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Miguel Torres. Presidente da Força Sindical, da CNTM e dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

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Durante a COP30, realizada em Belém/PA, o movimento sindical ressaltou que a transição justa precisa colocar o trabalhador no centro das decisões ambientais. Percebemos claramente como isso ainda não ocorre.

Apesar do discurso global, os grandes grupos econômicos dominam os espaços decisórios, enquanto representantes dos trabalhadores enfrentam barreiras. Essa realidade mostra desigualdades que precisamos enfrentar imediatamente.

Entretanto, o Encontro Nacional dos Trabalhadores, organizado pelo Fórum de Unidade Sindical da Amazônia Legal, demonstrou nossa força coletiva. A plenária unida e plural reafirmou a importância da mobilização sindical diante dos desafios climáticos e políticos atuais.

É importante recordar que, em 2022, derrotamos o autoritarismo graças à unidade. Elegemos o presidente Lula e recuperamos o diálogo democrático. Porém, infelizmente, não elegemos um Congresso comprometido com trabalhadores.

Consequentemente, sofremos derrotas legislativas que travam avanços ambientais e sociais. Por isso, a classe trabalhadora precisa conquistar representação real no Parlamento para influenciar decisões estruturantes.

A transição justa depende de leis, orçamento e políticas públicas. Portanto, sem representantes nossos no Legislativo, o país continuará adotando medidas que excluem justamente quem mais sustenta a economia nacional.

Na COP30, debatemos:

  • Emprego,
  • Formação,
  • Renda e
  • Impactos sociais.

Contudo, ficou claro que esses temas só avançarão quando trabalhadores participarem diretamente das instâncias decisórias nacionais e internacionais.

A ausência da voz trabalhadora evidencia que precisamos disputar espaços onde se define o futuro. Assim, não podemos deixar que apenas empresas determinem o rumo da transição ecológica.

Os Sindicatos devem ampliar o debate nas bases, levando às comunidades e aos locais de trabalho a urgência dessa participação política. Devemos transformar consciência coletiva em estratégia eleitoral.

Além disso, precisamos eleger trabalhadores comprometidos com justiça social, sustentabilidade e democracia. Só assim garantiremos políticas coerentes com nossas necessidades e com a responsabilidade ambiental brasileira.

A COP30 deixa claro que desenvolvimento sustentável exige inclusão. Portanto, devemos continuar lutando para que os trabalhadores ocupem espaços decisórios essenciais, garantindo transição justa e futuro digno para todas as comunidades.

Nossa unidade, organização e participação política representam ferramentas centrais para construir um Brasil mais equilibrado, democrático, sustentável e verdadeiramente comprometido com os trabalhadores.

Miguel Torres. Presidente da Força Sindical, CNTM e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

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