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sábado, 7/03/2026

Violência contra frentistas assusta Curitiba!

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Na noite desta quarta-feira, por volta das 22h30, o jornalista João Franzin, da Agência Sindical, conseguiu falar com Lairson Sena, presidente do Sindicato dos Frentistas da Grande Curitiba (filiado à UGT). A labuta carregada de ambos, com inúmeras tarefas, dificultava essa conversa. Mas ela aconteceu.

Franzin conta: “Fui tomar um caldo de mocotó no Bixiga, e uma branquinha, o celular tocou, era Lairson. Sem bloco pra anotar, rabisquei em guardanapos. Espero, ajudado pela memória, fazer um desenho cru da onda de violência que tem atingido e mesmo tirado a vida de trabalhadores pacatos.

O sindicalista Lairson fala:

Origem – “Essa onda tem crescido desde 2018. Os agressores, em regra, são homens maduros, de boa condição econômica. Não há uma região específica, mas a maioria dos ataques ocorre em bairros bons, valorizados, como no caso recente, quando mataram o companheiro Felipe, de 24 anos, no São Francisco, área central e valorizada da Capital”.

Horário – “As agressões acontecem mais durante a noite, quase sempre na madrugada, e não é raro o agressor estar alcoolizado. Muitos ataques violentos foram precedidos de xingamentos, atos de racismo ou mesmo de xenofobia contra trabalhadores ou trabalhadoras”.

Garrafada – “Há pouco tempo, um companheiro levou uma forte pancada com uma garrafa. Felizmente, ele sobreviveu. Teve outro caso famigerado, mostrado largamente pela mídia, da mulher que sacou uma faca e tentou atingir um trabalhador”.

Pacífico – “Frentista é pacifico, comunicativo, sabe cultivar o freguês. Em nossa profissão, o trabalhador fica passivo e só atua quando o veículo para, a fim de abastecer, verificar o óleo, calibrar pneus… A abordagem pelo frentista é exclusivamente profissional, embora muitos clientes sintam mais empatia por determinado empregado e prefira ser atendido por esse companheiro. A violência vem sempre de fora”.

Patrões – “Temos nos reunido com entidades empresariais e órgãos do governo. A Fecombustível também se mostra perplexa. Afinal que empresário gostaria de ver o nome da sua empresa associado a sinistros, agressões ou mesmo à morte de trabalhadores?”

Governo – “Órgãos do governo, entre eles a ANP, tentam entender o que vem ocorrendo, a fim de adotar providências, duras se precisar. Hoje mesmo, tivemos nova reunião com a Secretaria de Segurança Pública do Paraná.”

Imprensa – “Graças a Deus a imprensa tem repercutido à altura os casos e sinistros. Os trabalhadores se sentem mais protegidos com o noticiário, porque podem relatar seus dramas. Nosso Sindicato fala todo dia com a mídia. A divulgação dos casos e do modus operandi de cada agressor também orienta trabalhadores e dá pistas a investigações.”

Categoria – “Os trabalhadores sentiram que o Sindicato é arma fundamental. Exemplo disso é a sindicalização. Temos 18 mil trabalhadores base e quase 14 mil são sindicalizados. O sócio do Sindicato vê que existe ali uma rede de apoio, um Jurídico profissional atuante, uma direção ativa em prol da categoria”.

Providências – “É carro de som nos postos, entrega de informativos, sindicalização, Boletim de Ocorrência, reunião com patronato e governantes. Tudo isso impede que os fatos lastimáveis caiam no esquecimento e estimulam reação por parte da categoria”.

Unidade – “Todas as entidades da nossa categoria voltam olhos pra Grande Curitiba. Dirigentes nos visitam, trazendo apoio e solidariedade para as direções e também às nossas bases. Isso nos fortalece e dão ânimo de combater e derrotar essa onda de ataques”.

MAIS – Informe-se no seu Sindicato, sempre. Não vacile. Ainda que a pessoa só insinue ameaça. Amanhã a ameaça pode virar realidade. Uma realidade trágica, regada a dor, a sangue, a sofrimento.

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