A Carta-testamento de Getúlio Vargas continua viva

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Ontem, dia 25, marcou os 70 anos do suicídio de Getúlio Vargas e da leitura, por Oswaldo Aranha, da Carta-Testamento deixada pelo líder da Revolução de 30.

Darcy Ribeiro considera a “Carta” o mais importante documento político da nossa história.

Ele escreve: “Com o suicídio, tudo transvirou. Getúlio morto fez a cabeça de muitos intelectuais anteriormente opostos a ele, mas de pendor socialista. Foi o que ocorreu a Hermes Lima e a San Tiago Dantas, despertados pelo suicídio e pela Carta-testamento.

A notícia do suicídio caiu em mim como uma bomba. Sobretudo a Carta-testamento, o mais alto documento produzido no Brasil. É a carta política pela qual me guio.
Percebi, como perceberam todos os brasileiros, que a campanha do mar de lama era armação da imprensa, subsidiada pelas grandes empresas estrangeiras, a fim de derrubar o presidente que estava criando a Petrobrás e que anunciava a Eletrobrás, opondo-se a grupos estrangeiros do petróleo e da eletricidade”.

O suicídio foi o último gesto político que restou a Getúlio. Ao decidir pelo suicídio, depois de uma reunião ministerial em que todos, menos Tancredo Neves, optavam por sua renúncia, Getúlio reverteu inesperadamente o quadro.

O efeito sobre mim foi a compreensão da besteira que fazia com minha postura à base de um falso marxismo. Abri os olhos para a realidade. Compreendi que me cabia tentar fazer o máximo possível, aqui e agora, para enfrentar os problemas nacionais. Aqui e agora é o que estava fazendo Getúlio. Desde então acerquei-me dos trabalhistas.

Foi Getúlio Vargas quem, a partir de 1930, proscreveu o domínio da velha classe dirigente, abrindo uma era que permitiu ao Brasil entrar no mundo moderno. Eram os cartolas do pacto café-com-leite, quase todos bitolados pela Faculdade de Direito de SP.

Getúlio profissionalizou o Exército, encerrando-o nos quartéis. Legalizou a luta de classes, vista até então como caso de polícia. Organizou os trabalhadores urbanos em Sindicatos estáveis, pró-governamentais, mas antipatronais. Renovou a Educação e dinamizou a Cultura. Na economia, enfrentou os poderosos testas-de-ferro das empresas estrangeiras.

A Carta-testamento continua viva. Clique aqui e leia.

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