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sábado, 7/02/2026

Calasans, fina figura humana

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Quarta (26) o sindicalismo brasileiro perdeu um dos seus melhores quadros. Francisco Calasans Lacerda, presidente do Sinthoresp, Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes e Similares de São Paulo e Região.

Baiano e migrante, Calasans chegou a São Paulo para ganhar a vida e aqui fez história. Ele contava que, graças ao aprendizado que tivera com seu pai alfaiate, logo encontrou emprego.

Com o tempo, entrou no ramo da hospitalidade e ali galgou todos os degraus da profissão.
Homem de inteligência ímpar, o jovem garçom passou no concorrido vestibular da Faculdade de Direito de São Paulo. Calasans lembrava: “Eu estudava no ônibus, na ida e volta do trabalho. Dormia pouquíssimas horas por noite”.

Na sua turma na escola onde também estudara Castro Alves, Calasans era o único aluno que pertencia à classe trabalhadora.

Ao assumir o Sindicato, na década de 70, Calasans, Gilberto e outros companheiros davam passos firmes para transformar a entidade numa potência.

Coerente, ele jamais titubeou na defesa de princípios, como justiça social, equilíbrio nas relações capital-trabalho, organização por categoria profissional e unicidade sindical.
Outra marca de Francisco Calasans Lacerda era sua religiosidade. Cristão, viveu uma vida de intensa fé. Alegre, espírito leve, sempre manteve seu otimismo mesmo nos momentos graves e adversos.

Suas qualidades pessoais e de dirigente sindical, apoiadas numa sólida cultura jurídica, o conduziram ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região como juiz classista representante dos trabalhadores.

Na política, destacou-se como progressista, trabalhista e nacionalista. Sua inspiração era Getúlio Vargas. Quem entrasse em sua sala no prédio da Rua Taguá, bairro da Liberdade, SP, logo via, destacada na parede, uma bela pintura retratando o líder da Revolução de 30.
Calasans, o “Fazinho” como o chamavam os amigos de infância, na terra natal, foi também um talentoso compositor e cantor de voz potente, que gravou vários CDs, com músicas do repertório de Francisco Alves, Orlando Silva e outros grandes artistas intérpretes brasileiros.

Vai nos fazer muita falta o galhardo Calasans.

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