A concentração de renda e da propriedade é o mais grave problema brasileiro.
Isso começou em 1534, quando Portugal dividiu o território nacional em 15 Capitanias Hereditárias. Essas Capitanias passavam de pai pra filho.
Alguns governantes tentaram enfrentar esse problema, mas foram duramente combatidos pela classe dominante. É o caso do Presidente João Goulart. Ele foi derrubado por querer fazer as reformas de base, cuja principal era a agrária.
O outro problema é a concentração de renda, principalmente pelos baixos salários ou mesmo ausência de salário. Foi o que ocorreu durante a escravidão. Três séculos e meio de trabalho escravo enriqueceram latifundiários e donos de engenho.
Por isso, não estranho quando deputados, senadores e banqueiros criticam o aumento do salário mínimo e a reforma agrária: eles querem toda a propriedade em mãos e salário de fome a quem se mata de trabalhar em lavouras, minas, fábricas e fazendas.
Outra forma de enriquecimento espúrio é financeira. Os ricos aplicam o excedente de seus lucros em títulos que pagam perto de 15% de juros ao ano. Por isso, rejeitam uma taxa Selic menor, alegando que se o juro cai a inflação aumenta.
Com apoio da grande mídia, os muito ricos e os especuladores promovem verdadeira campanha contra a queda nos juros. Essa elite é a mesma que prega salário mínimo miserável, alegando que valor maior provoca inflação.
Ao longo das décadas, o sindicalismo tem sido uma força ativa no combate a esses dois graves problemas: a propriedade em mãos da elite e também o arrocho salarial.
Após a derrubada de Jango, pelo golpe de 1964, só houve aumento real de salário mínimo nos governos Lula e Dilma, 20 anos depois. Na somatória dos dois governos Lula/Dilma e agora, com Lula outra vez, o mínimo acumula ganho de 80% acima do INPC do período.
A divisão das grandes propriedades rurais, como Jango queria, e um salário mínimo decente (com Dilma e Lula) ajudariam a fortalecer o mercado interno. Mercado interno forte, mais empregos; mercado interno forte, crescimento das empresas; mercado interno forte, Brasil mais soberano.
Pense bem: nesse tempo todo, qual a única organização social que conseguiu elevar o mínimo e os salários em geral? O sindicalismo. Quais as únicas que lutam por reforma agrária? O sindicalismo e o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST). Não à toa essas duas organizações são combatidas pela classe dominante e a grande imprensa.
Aumento real – Nosso primeiro acordo coletivo deste ano obteve 1,2% acima do INPC e mais abono de 13,5%. E todo dia fechamos acordos pra pagar PLR aos trabalhadores. Também fomos às ruas exigir salário mínimo digno. Ainda ontem, o Senado votaria isenção do imposto de renda pra salário até R$ 5 mil. De quem foi essa proposta? Do movimento sindical. Ou seja, a luta não para.
Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.









