Em 7 de abril de 2022, aconteceu a nova Conclat, em São Paulo. O evento gerou a Pauta Unitária da Classe Trabalhadora. Essa Pauta veio a ser entregue sete dias depois, em 14 de abril, a Luiz Inácio Lula da Silva (que se preparava pra mais uma corrida presidencial) num grande amplo na Casa de Portugal, Liberdade, Capital.
A pauta, ampla e abrangente, chamou a atenção de Lula e ele comentou: “Vocês não estão me entregando uma pauta de reivindicações. O que eu tenho em mãos é quase um plano de governo”.
Eu estava lá e observei que Lula, em meio às manifestações no palco, deu uma sapecada geral nos diversos pontos do documento, citando depois alguns em sua fala. Quanto à alta incidência do Imposto de Renda sobre os salários, o então pré-candidato afirmou: “Se eleito, eu zero o imposto de renda sobre salários até R$ 5 mil”.
Daquele 14 de abril de 2022 até o 26 de novembro deste ano, muita água rolou, as circunstâncias se moveram, mas Lula não traiu sua promessa. A isenção do Imposto pra salário até R$ 5 mil demandou muita articulação do governo e também esforço por parte da equipe econômica. O fato concreto é que o dia esperado chegou.
Clemente Ganz Lúcio, ex-coordenador-geral do Dieese e hoje consultor do Fórum das Centrais, foi uma dessas pessoas que articularam e batalharam pra livrar mais de 15 milhões de assalariados da facada do imposto de renda.
Nesta quarta, após participar da cerimônia no Palácio do Planalto, ele comentava: “Essa conquista teve a fundamental participação sindical. Como ocorreu também na retomada da política de aumentos reais pro salário mínimo”. A isenção do IR era um dos três pontos mais importantes daquela Pauta Unitária.
Com a experiência de quem dirigiu por anos o setor técnico do Dieese, Clemente Ganz está otimista quanto aos impactos da medida no consumo das famílias e no mercado interno. Ele diz: “Só na faixa até R$ 5 mil, mais de 15 milhões deixarão de sofrer o desconto. Dinheiro que irá pro consumo, aquecendo o mercado interno”.
Ao comentar que a medida sancionada por Lula, isentando na base e tributando um pouco mais na ponta, o ex-diretor do Dieese não esconde seu entusiasmo: “Foi uma baita conquista”. Além do empenho de Lula e do esforço do sindicalismo, Clemente considera que a boa conjuntura econômica também ajudou.
Na cerimônia quarta, no Palácio do Planalto, estavam também presentes vários ministros, os dois relatores do Projeto (deputado Arthur Lira e senador Renan Calheiros) e todas as Centrais Sindicais. Sérgio Nobre, da CUT, falou por elas. Clemente Ganz Lúcio conta que viu um Lula feliz, descontraído. “Lula estava leve”, ele conclui.
João Franzin, repórter da Agência Sindical.









