Neste mês, especialmente, devemos homenagear um metalúrgico e alagoano de Quebrangulo. Trata-se do mesmo vilarejo onde nasceu o grande escritor Graciliano Ramos – autor de Vidas Secas e outros clássicos da nossa Literatura.
Quem é esse Manoel? É Manoel Fiel Filho. Ele era prensista numa fábrica da Mooca, em São Paulo. Pois, no dia 17 de janeiro de 1976, o então metalúrgico foi sequestrado, torturado e morto por agentes da ditadura, deixando esposa e duas filhas pequenas.
Sua morte ocorreu poucos meses depois do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura, no mesmo Doi-Codi. O regime estremeceu com esses dois assassinatos, obrigando o presidente general Geisel a demitir vários comandantes militares, envolvidos nas tramas de terror e violência.
Manoel, nas palavras ditas por sua filha Márcia, era um pai carinhoso e pacífico, que procurava manter distância de polêmicas. Ele recomendava à família e aos amigos não discutir “nem política, nem religião, nem futebol”.
Na segunda, dia 19, houve cerimônia em memória de Manoel Fiel Filho. O local foi a rua do Carmo, 171, Centro de São Paulo, onde por longos anos funcionou o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo – ao qual Manoel era associado.
Nosso Sindicato esteve presente na cerimônia. Participamos eu mais os diretores Chorão, Robson, Galdino, Nildo, Lucas e Jau.
O evento em São Paulo ocorreu três dias depois da Confraternização, em nosso Clube de Campo, entre a direção sindical e os delegados eleitos em nossa base. No sábado (dia 17), os companheiros puderam fazer propostas e encaminhamentos para, juntos com a direção sindical, buscar melhorias nas fábricas e à nossa categoria.
As famílias têm as suas memórias, registradas em fotografias, documentos e lembranças. É importante que a classe trabalhadora também tenha suas referências, por meio de testemunhos e documentos.
Mas não basta registrar e valorizar o passado. É preciso que, a partir das experiências passadas, possamos pensar em nosso futuro e planejar ações para os dias que virão.
Para tanto, o Sindicato planeja ações a partir da nossa diretoria, dos associados, dos integrantes das Cipaas e dos Delegados/Representantes Sindicais.
As mudanças trazidas pelas novas tecnologias apressam a chegada do futuro. Em poucos anos muita coisa estará mudada, seja na vida profissional, econômica, política, cultural ou mesmo social. Precisamos estar atentos e não ser pegos de surpresa.
Na cerimônia do dia 17, muito assuntos foram recordados e tratados. Todos reverenciaram, com respeito, a memória de Manoel Fiel Filho.
Fiquei feliz em ver que, mesmo num grupo eclético – pois havia ali metalúrgicos, comerciários, químicos, aposentados, jornalistas e advogados – prevalecia o repúdio à violência política. E todos exaltavam um valor que tecnologia nenhuma poderá derrotar. Esse valor é a democracia!









