Chega de feminicídio! – Josinaldo José de Barros

0
0

No Brasil, o Estado é laico. Isso significa que o poder político e estatal não pode impor um credo nem fazer proselitismo religioso. Essa garantia está assegurada na Constituição.

No Brasil, 84% da população é cristã, ou seja, segue os preceitos do cristianismo. E qual é o principal ensinamento de Jesus? “Amai-vos uns aos outros”.

Anos atrás, a Rede Globo exibiu a série Quem ama não mata. O nome era bonito, mas não correspondia à realidade, principalmente no que diz respeito aos pobres, aos pretos pobres e às mulheres.
Observe que, nos últimos anos, ganhou força a palavra feminicídio. E o que ela significa? Trata-se do crime cometido contra a mulher pelo simples fato de ela ser mulher, como se isso fosse uma nódoa. Vale frisar que o feminicídio é crime inafiançável, segundo a Lei nº 14.994/2024.

Tempos atrás, a delegada Rose fez uma palestra para trabalhadoras em nosso Sindicato. Ela foi a primeira Delegada da Mulher no Brasil. A Dra. Rose, com toda a sua experiência, apresentou números alarmantes sobre esses crimes, destacando a crueldade da violência, já que muitos tiros e facadas visam mutilar o órgão sexual da vítima. Ou seja, trata-se de crime de ódio, vingança e maldade.

Recentemente, a Folha de S.Paulo destacou que quatro brasileiras são assassinadas por dia, seja pelo marido, ex-marido, namorado ou ex-namorado. A soma anual dessa matança chega a 1.470 mulheres.

Felizmente, a legislação que pune o agressor tem se ampliado. É o caso da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), que se tornou o principal instrumento legal para coibir a violência doméstica e familiar, buscando a proteção integral da mulher. A lei define os tipos de agressão (física, psicológica, moral, sexual e patrimonial), cria medidas protetivas de urgência, endurece penas e elimina punições alternativas.

Nosso Sindicato conta com um Departamento Feminino, integrado pelas companheiras Roseli, Raquel, Márcia e Delma. Todo mês de março, o Departamento promove a campanha Março-Mulher e realiza um Encontro em nossa sede. Neste ano, o eixo do Encontro será o combate ao feminicídio. Vamos manter aceso esse debate, orientando as mulheres e dizendo aos agressores: parem com a violência, o ódio e a vingança!

O sindicalismo abraçou as causas das mulheres e colocou o combate ao feminicídio no topo da pauta. Mas essa causa não é apenas das mulheres. Os homens – solteiros ou casados, jovens ou idosos – precisam apoiar essa luta. E os governantes precisam fazer muito mais pelas mulheres e agir com rigor contra os trogloditas que perseguem, batem, mutilam ou matam.

Um perfil dos criminosos mostraria que a esmagadora maioria se declara cristã. Mas que cristão é esse que odeia, persegue, difama, maltrata, bate, mutila e mata?

ORELHA – Eu também fiquei chocado com a violência dos “filhinhos de papai” contra um cachorro dócil e querido por todos. Eles podem ser chamados de cristãos?

Josinaldo José de Barros. Preside o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.