O Dieese ampliou o monitoramento em 26 capitais, mais o Distrito Federal, para realizar o levantamento do custo da cesta básica que ficou mais cara para os brasileiros a partir de março. Há registro em todas as cidades do país ao mesmo tempo. O dado é ruim: quem vive do salário mínimo e precisa sustentar a família sente o peso direto nas compras.
Fruto de uma parceria firmada em 2024 entre o Dieese e a Conab, o estudo registra aumentos em Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%). A mais cara é em São Paulo, que lidera com uma cesta avaliada em R$ 883,94, seguida pelo Rio de Janeiro – R$ 867,97 e Cuiabá – R$ 838,40. Na outra ponta, Aracaju – R$ 598,45 e Porto Velho – R$ 623,42 oferecem o menor custo médio entre as capitais.
Vilão – O clima com chuvas fortes trouxe problemas na colheita e aumento no preço dos hortifrútis. A batata disparou no Sudeste, em Vitória; a alta chegou a 22,24% por conta da queda na oferta. O feijão e o tomate subiram em todas as capitais. A carne de boi ficou mais cara em 23 cidades, em razão do aumento da exportação do produto para outros países. A boa notícia ficou por conta do açúcar, que caiu em 19 capitais graças à produção recorde no Brasil e no exterior.
“Esse movimento tem certa sazonalidade, ou seja, é relativamente comum verificarmos aumento nos preços da cesta básica em início de ano. Neste mês em específico a alta foi puxada pela batata, feijão, tomate (em todas capitais), carne bovina de primeira (em 23 capitais com aumento), leite (aumento em 20 capitais)”, afirma Rodolfo Viana, economista da Subseção do Dieese do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.
Horas – O trabalhador que sobrevive em média com um salário mínimo, R$ 1.621, faz escolhas no mercado por conta dos preços desregulados do seu orçamento doméstico. Em março, foram necessárias, em média, 97 horas e 55 minutos de trabalho para pagar os itens da lista da cesta básica; são quase quatro horas a mais do que em fevereiro, quando a conta exigia 93 horas e 53 minutos. Depois do desconto da Previdência, o trabalhador comprometeu, em média, 48,12% do salário líquido apenas com alimentação.
Discrepância – O Dieese lembra que a Constituição prevê que o salário mínimo deve cobrir alimentação, moradia, saúde, educação e lazer para uma família de quatro pessoas. Para cumprir esse preceito em março de 2026, o piso deveria ter sido de R$ 7.425,99 ou seja, 4,58 vezes o valor atual. A distância entre o que se paga e o que se precisa segue sendo um dos retratos mais crus da desigualdade brasileira.
MAIS – DIEESE e Conab – Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos









