Encarte de quatro páginas, na Folha de S. Paulo, dia 9, mostra a posição agressiva da Fiesp contra PEC aprovada na Câmara. A matéria, aprovada dia 27 de maio, acaba com a escala 6×1 e estabelece jornada de 40 horas semanais. A Fiesp apoia a PEC 12, do senador bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN). Por ela, implanta-se o trabalho flexível. “Deixem o trabalhador escolher seu próprio caminho”, diz a Carta que abre o encarte.
Assinam o manifesto, além da Fiesp, a CNA, CNC, CNI e CNT.
No texto principal, intitulado “Uma carta para o Brasil que acorda cedo”, as entidades patronais afirmam que a PEC 12 permitiria ao trabalhador escolher horários e períodos de trabalho de acordo com sua realidade, mantendo os direitos previstos na CLT. O documento contrapõe a proposta de trabalho flexível à PEC aprovada pela Câmara, classificando a redução da jornada como uma medida “engessada” e que aumentaria custos para empresas e consumidores.
O encarte, praticamente às vésperas do Senado apreciar a PEC aprovada na Câmara, deixa claro que os setores mais organizados do patronato jogarão pesado contra a redução da jornada e o fim da escala 6×1.
Essas duas bandeiras, ou seja, jornada de 40 horas e fim da escala 6×1, são defendidas pelo conjunto do sindicalismo e têm apoio da imensa maioria da população brasileira.
No passado, as mesmas organizações patronais denunciaram a criação do 13º salário como fator de instabilidade econômica e caos no mercado de trabalho.
Mais atrás, ainda, o patronato brasileiro combateu a criação da CLT e do salário mínimo pelo presidente Getúlio Vargas. E até a Princesa Isabel foi contestada, em 1888, quando assinou a Lei Áurea, que acabava, oficialmente, com a escravidão no País.









