Brizola vive? Vive! – João Franzin

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Quando Leonel Brizola voltou do exílio, em 1979, havia muito pouco de informação sobre sua vida, infância, carreira profissional e trajetória política. A Rede Globo estava à frente dessa operação e o veto à sua figura e à sua ideologia era concreto.

Curiosamente, Leonel Brizola, mesmo anos depois de sua morte, passou a gerar interesse e a ser conhecido por mais pessoas. E isso se deveu às redes sociais. Aos poucos, fotos, entrevistas e vídeos subiram para as redes, passaram a ser veiculados e, melhor ainda, compartilhados.

Uma rápida varredura no ambiente da internet mostrará vasto conteúdo acerca do comandante da Rede da Legalidade, do criador dos Cieps e do único político brasileiro que teve peito de enfrentar o poder de Roberto Marinho.

Entre as ferramentas da internet, é no YouTube que Brizola mais aparece. São muitos os trechos de antigos debates eleitorais e de entrevistas ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, de SP, por exemplo. As redes também tiveram o mérito de mostrar o episódio em que Fernando Henrique Cardoso questiona o suposto custo alto dos Cieps e Brizola responde: “Caro, mesmo, é a ignorância!”

No universo do WhatsApp, o líder trabalhista e nacionalista também aparece num sem-número de grupos – quase todos ligados ao trabalhismo e à questão nacional, que era o centro da ideologia brizolista.

Pelas redes pode-se até descobrir o poema que Carlos Drummond de Andrade dedicou a Leonel Brizola, quando este foi golpeado por Golbery do Couto e Silva, que entregou a sigla do PTB para Ivete Vargas, servidora da ditadura. Há também um poema de Pablo Neruda, dedicado ao valente e jovem Leonel Brizola, do começo dos anos 60.

Na esquerda, quando morre um líder, é comum alguém bradar: “Fulano vive!” Com relação a Brizola, isso também ocorre. Seu caráter, sua retidão, sua verve, sua obstinação, seu inegável apego ao povo brasileiro nos autorizam a dizer: Brizola vive!

João Franzin. Jornalista da Agência Sindical – joaofranzin56@gmail.com