Morre Barretão, ícone do nosso cinema

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Morre Barretão, ícone do nosso cinema

Morreu, nesta quarta-feira, 22, aos 98 anos, Luiz Carlos Barreto (Barretão), lendário cineasta e produtor brasileiro. Seu currículo aponta 51 produções, entre as quais o filme “Dona Flor e seus dois maridos”, cuja bilheteria alcançou mais de 11 milhões de espectadores.
Para Sonia Santana, que preside o Sindcine, “a história do cinema brasileiro passa pelo Luiz Carlos Barreto”. Ela destaca a qualidade de suas produções: “Devemos a ele um cinema mais nacional e com qualidade, distante do padrão estético norte-americano.” E acrescenta: “Não há como fazer cinema bem-feito sem domínio técnico e uma boa equipe profissional”, comenta Sonia, que é profissional do setor de produção.
Barretão, como era conhecido, dominava todas as fases da produção de um filme, de ficção ou documentário.

Rio/Brasília – A fase mais produtiva de Barreto pôde acontecer, também, devido à capacidade do cineasta em participar dos editais da Embrafilme, “onde obtinha recursos pra produzir seus filmes no Rio de Janeiro”. Durante vários anos, o cinema nacional tinha o Rio como base. De acordo com Sonia Santana, “São Paulo produzia mais na chamada ‘Boca do Lixo’, mas eram filmes que muitas vezes deixavam a desejar na qualidade do som, da imagem e na edição”. Ela conta que chegou a se mudar para o Rio de Janeiro nos anos 70.
Barretão, que trabalhou como repórter fotográfico na revista “O Cruzeiro” e depois foi seu correspondente na Europa, foi muito atuante na época do Cinema Novo, que tinha uma estética própria, terceiro-mundista. Já nas produções posteriores, observa a presidente do Sindcine, “ele elevou o padrão técnico, em todas as fases, entregando filmes de excelente qualidade, sempre dentro de uma visão nacional, com uma linguagem mais brasileira”.
De formação política comunista, Luiz Carlos Barreto foi audacioso nas produções do Cinema Novo (foi produtor e diretor de fotografia de “Terra em Transe”, de Glauber Rocha), buscando dar continuidade ao cinema nacional, mesmo num ambiente politicamente hostil.
MAIS – Cinemateca.org.br

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