Nas últimas semanas, o movimento sindical concentrou forças na aprovação da PEC 221, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho de 44 pra 40 horas. Os próximos dias serão de movimentação intensa, nas ruas e junto aos senadores.
Domingo – Neste domingo, 30, sindicalismo e movimentos populares promovem manifestações visando pressionar o Senado a votar a aprovação da PEC. Na CCJ do Senado, o cenário é de aprovação. No plenário, não é bem assim.
Brasília – Já nas primeiras horas da segunda, 31, dirigentes das Centrais e de outras entidades reforçam o corpo a corpo nos gabinetes do Senado. Orientação é consolidar os apoios, buscar novas adesões e isolar o bolsonarismo, que é contra a PEC.
CTB – A Agência Sindical ouviu Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Ele é bancário.
Adilson comenta: “O fim da extenuante escala 6X1 já é matéria vencida na Câmara. Batalha agora é no Senado. A PEC 221 contempla o anseio de mais de 70% da população que reclama o atendimento de uma velha reivindicação da classe trabalhadora”. Ou seja, trabalhar menos pra poder viver mais e melhor.
Segundo o cetebista, “a redução da jornada gera inquietação em parte do patronato, que utiliza da desinformação, com apoio na mídia burguesa, pra impedir e protelar a votação. Eles fazem uma campanha falaciosa e alarmista. Vale recordar que o Brasil, por resistência da classe dominante, foi o último País do mundo a acabar com a escravidão”.
Adilson Araújo lembra que “o Brasil é o terceiro País no mundo em incidência de doença ocupacional; é o segundo no G20 com maior registro de mortes por acidentes no trabalho”. Mas ele está otimista. E diz: “O fim da desumana escala 6×1 e a jornada de 40 horas vão colocar o Brasil em linha com diversos países que se beneficiaram, a exemplo da França, que, ao reduzir a jornada pra 35 horas, viu a economia crescer e gerar 350 mil novos postos de trabalho”.
Para o presidente da CTB, “tudo o que Brasil precisa é, dentro de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, se apropriar do avanço tecnológico, dos benefícios e ganhos com o aumento da produtividade, reindustrializar a economia, desenvolver forças produtivas com efetividade na infraestrutura, apoiando-se na engenharia, ciência e tecnologia e inovação para gerar empregos de qualidade”.
CCJ – Nesta fase de tratativas junto aos senadores, ganha importância a experiência do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Marcos Verlaine, jornalista e consultor do Diap, tem produzido conteúdo diário acerca da tramitação da PEC 221. Em texto divulgado na noite da quinta (27), ele informa que “a PEC 221 está pronta pra ser votada na CCJ em 2 de setembro e eventual pedido de vista não impede aprovação na própria quarta”. Para Verlaine, a pressão do sindicalismo e dos atos públicos pode ser decisiva para evitar novo adiamento”.









