23.8 C
São Paulo
quinta-feira, 26/03/2026

Centrais e Anamatra criticam MP 936 que reduz salários em até 100%

Data:

Compartilhe:

O governo anunciou na noite da quarta (1º) mais uma medida provisória, que agravará as dificuldades dos trabalhadores no enfrentamento do novo coronavírus. A MP 936/2020 permite cortar salários e jornadas, autorizando reduções em qualquer percentual, podendo chegar a 100%, com prazo máximo de 90 dias.

Após aprovação do auxílio emergencial de até R$ 1.200,00 para trabalhadores informais e de baixa renda, havia cobrança para o governo adotar proteção aos empregados com Carteira assinada. Porém, a proposta governamental foi recebida com indignação.

As Centrais Sindicais se reuniram nesta quinta (2) e divulgaram Nota contra a Medida. CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB consideraram insuficientes as medidas anunciadas. “A resposta do governo é tímida e indigesta. A MP 936 precisa ser modificada pra atender os interesses dos trabalhadores e até mesmo das empresas”, diz a Nota.

Sindicatos – Presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de SP, Ricardo Patah afirma que a medida precisa de ajustes. Ele diz: “A MP só saiu porque exigimos uma resposta do governo. Mas há pontos que precisam ser modificados, como a questão do acordo individual patrão-empregado. Somos totalmente contra”.

Para a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, o governo viola a Constituição ao insistir em validar acordos individuais sobre coletivos e discriminar diferentes possibilidades de negociação, conforme a faixa salarial. A Anamatra afirma que a MP afronta a Carta Magna e “aprofunda a insegurança jurídica já decorrente de outras mudanças legislativas recentes”.

“Diferenciar os trabalhadores, pra permitir acordo individual, negando a negociação coletiva, acaso recebam remuneração considerada superior e tenham curso universitário, é negar a força normativa da Constituição e do Direito do Trabalho”, afirma a Anamatra. “A proteção trabalhista, como outras proteções jurídicas, é universal, e não depende do valor do salário do cidadão”, completa.

ADI – O partido Rede Sustentabilidade ingressou no Supremo com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a 936/2020. O partido solicita imediata revogação dos trechos da medida provisória que determinam redução de jornada de trabalho e salários, além de suspensão de contratos de trabalho, com base em acordos individuais.

“Em momentos de crise como o presente, justifica-se, ainda mais, fortalecer a negociação coletiva, e não seu enfraquecimento, dada a necessária proteção dos direitos na relação trabalhista”, aponta o líder da Rede, senador Randolfe Rodrigues (AP).

NOTA – Clique aqui e leia o documento na íntegra.

Conteúdo Relacionado

Sindicalismo e Dieese debatem soberania

O Dieese e as Centrais Sindicais convidam para debate em Defesa dos Dados Oficiais e da Soberania Nacional. Evento vai acontecer dia 6 de...

Ações do governo melhoram mobilidade

O presidente Lula esteve quarta (25) na unidade industrial da CRRC Brasil em Araraquara (SP). Trata-se de empresa chinesa líder mundial em equipamentos ferroviários....

Livro exalta Frentistas

Será lançado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, em 1º do próximo mês, o livro "Frentistas do Brasil - Uma História de...

Bancos fecham agências e demitem

Desde 2015, informa o Dieese, 638 Municípios ficaram sem agência bancária, deixando a descoberto 6,9 milhões de pessoas. Hoje, 2.649 Municípios não têm agências. Sindicato...

Categorias mantêm ganho real nas datas-bases

A classe trabalhadora brasileira vive um período extenso de ganhos reais de salário e aumento no poder de aquisitivo.Segundo o Boletim “De olho nas...