Foi um evento notável. Dia 27 de março, o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região promoveu um Encontro forte, representativo e qualificado, lotando o auditório da sede.
O Encontro, organizado pelo Departamento Feminino da entidade, encerrou as atividades alusivas ao Março-Mulher. Dia 10 de abril, o Sindicato sediará o 15º Encontro Metal Mulheres, reunindo trabalhadoras de entidades filiadas à Força Sindical.
O evento do dia 27 teve como tema “Metalúrgicas unidas, mulheres vivas: juntas na luta contra a violência e o feminicídio”. O Encontro tratou sobre a violência contra a mulher e o avanço dos casos de feminicídio.
A programação começou com café da manhã, propiciando encontros e reencontros. No decorrer do evento, teve música ao vivo, momento cultural, sorteios e a palestra principal pela vice-presidente da OAB-Guarulhos, Ana Paula Menezes Faustino.
Afora as falas institucionais, um dos pontos fortes foram os depoimentos de trabalhadoras da base, que compartilharam experiências e reflexões sobre os desafios atuais da mulher.
Palestra
Dra. Ana Paula abordou o cenário enfrentado pelas mulheres no mercado de trabalho e na vida pessoal. Segundo ela, Guarulhos conta com mais de 7,5 mil metalúrgicas, o que demonstra avanço na presença feminina no setor, mas ainda revela desafios importantes.
Diz a dra. Ana: “Quando uma mulher abre uma porta, na verdade, abre para todas. A gente precisa entender que cada conquista individual representa também um avanço coletivo”.
Ana Paula relatou também situações de discriminação que ainda fazem parte da vida de muitas mulheres. Ela conta: “Já recebi mulheres que foram acusadas de velhas. Tem mulheres com filhos que não são contratadas porque podem faltar. Isso mostra que ainda existe uma postura muito preconceituosa em relação à mulher trabalhadora”.
Ana Paula também abordou a dependência financeira como fator determinante para a permanência em relações abusivas. Ela ressalta: “Recebo mulheres que sofrem violência doméstica e que não querem sair de casa porque fica difícil sustentarem-se sozinhas. Isso mostra como a autonomia financeira ainda é um desafio para muitas companheiras”.
Um dos momentos marcantes do encontro, foi o minuto de silêncio em memória das vítimas de feminicídio.
Para a advogada, “feminicídio é uma doença dentro da alma”. Ela diz: “A gente sofre vários tipos de violência, mas persistimos, porque somos mulheres fortes, mulheres que resistem”.
A dra. Ana ainda reforçou a necessidade de mudança cultural e conscientização coletiva. Ela comenta: “Os homens cresceram numa cultura machista. A minha impressão é que muitos estão com medo da mudança. Mas nós precisamos entender o nosso valor e seguir transformando essa realidade”, afirmou.
Presenças – O vereador Guto Tavares (PDT) destacou o caráter histórico da luta feminina e a importância de se enfrentar a violência como um problema social. Guto afirma: “A história da mulher também é uma história de luta. E esse enfrentamento precisa ser feito com consciência, porque não é um problema individual, é um problema da sociedade”.
Ele também ressaltou a responsabilidade masculina nesse processo. E frisou: “Esse problema não é o só das mulheres. É um problema do homem também. E a gente precisa ter coragem de assumir essa responsabilidade e enfrentá-lo de forma direta”.
O presidente da OAB Guarulhos, Abner Vidal, participou do Encontro, reafirmando a luta da Ordem por justiça, paz e defesa dos direitos humanos. Para ele, “as mulheres já estão fazendo a parte delas há muito tempo; Nós, homens, precisamos assumir essa responsabilidade e constranger quem pratica violência, quem faz piada machista, quem desrespeita”.
Sindicato – O presidente Josinaldo José de Barros lamentou a violência, que, segundo sua avaliação, atinge todas as classes sociais. Para o sindicalista, “estamos diante de um problema da sociedade, ou seja, de todos nós. Todas as instituições precisam ajudar pra que essa mensagem chegue onde precisa chegar”.
Diretoras – A coordenadora do Departamento Feminino, Roseli Lima, destacou a mobilização do grupo e o trabalho nas fábricas. Ela diz: “Estamos unidas pra reivindicar respeito e a vida de todas as mulheres. Nosso trabalho é feito direto na base, conversando com trabalhadoras e trabalhadores”, ressaltou. Roseli também explicou que o Sindicato acolhe denúncias e orienta as trabalhadoras.
A diretora Márcia de Aquino ressaltou que o trabalho em prol das mulheres é contínuo. Ela diz: “É um trabalho de formiguinha, no dia a dia mesmo. A gente incentiva a mulher a não se calar”.
A diretora Raquel de Jesus destacou o encaminhamento das denúncias, muitas das quais sobre assédio. “Quando a gente consegue resolver, resolve. Quando não, encaminha para o Jurídico. O importante é que as mulheres saibam que têm apoio”, explica Raquel.
A diretora Delma Rocha apontou mudanças no mercado. Segundo ela, “hoje em dia está bem melhor do que antes, principalmente nas oportunidades para as mulheres”.
Professora – Para a professora e ativista sindical, Sandra Santos, o respeito é central para a convivência entre homens e mulheres. A professora comenta: “Quando ela diz não, é não. Muito da violência acontece porque as mulheres ainda não são ouvidas e respeitadas como deveriam”.
Relatos – A trabalhadora Carla Pulegio participou pela primeira vez do Encontro e destacou a relevância do debate. Ela trabalha numa fábrica há seis anos como controladora de linha de produção, no Taboão. Está de férias, mas se motivou a participar do Encontro. Para Carla, “hoje o que mais tem é violência contra a mulher. É muito importante falar sobre esse tema e esse drama”.
Já Neide Batista, funcionária da limpeza de uma indústria na região do Jardim São João, o Sindicato é fundamental na proteção das trabalhadoras. Neide comenta: “A gente precisa dessa segurança, precisa muito desse apoio”.
Veterana – Presença marcante no encontro foi a aposentada Dora Mineira, de 93 anos, que é sócia do Sindicato dos Metalúrgicos desde 1979. Ela demonstrou sua alegria: “Tenho muito orgulho de ser uma das primeiras sócias do nosso Sindicato. Os meus companheiros metalúrgicos me dão muita alegria e me ajudam a viver”.
MAIS – Site do Sindicato (e da Força Sindical nacional).









