23.9 C
São Paulo
domingo, 14/07/2024

O nacionalismo e a luta pelo País

Data:

Compartilhe:

Assistimos ao povo ucraniano defendendo o seu país, cidadãos comuns vão às ruas para montar barricadas contra tanques russos e, literalmente, dão a vida. São atitudes corajosas e demonstram amor ao país, um nacionalismo levado às últimas consequências e que faz pensar.

O nacionalismo é uma ideologia política. Ele se mostra, entre outras formas, pelo patriotismo, que envolve a utilização dos símbolos nacionais, da bandeira, hino nacional, etc. Quando o nacionalismo é exagerado, damos a isso o nome de ufanismo.

Mas toda essa doação vale a pena? Não há dúvidas de que precisamos lutar pelo país, por nossos direitos, mas devemos brigar tanto para manter um governo no poder? Quando olhamos a história do Brasil, verificamos que já tivemos governos de todos os aspectos e, várias vezes, nossos cidadãos lutaram por eles até com a vida.

Apenas nos últimos setenta anos, vimos várias campanhas que fizeram o país trabalhar em prol da agenda do governo de plantão. Durante o regime militar, slogans ufanistas como “Ninguém segura este país” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”, além das músicas com refrão “Eu te amo, meu Brasil, eu te amo; “Este é um país que vai pra frente (…)”, foram repetidas à exaustão. Muitos aderiram à campanha “Ouro para o Bem do Brasil” e doaram ouro para o governo. Também havia a campanha “A Amazônia é nossa”. Décadas antes, no governo de Getúlio, vimos a campanha do “Petróleo é Nosso”, com o surgimento da Petrobras.

As pessoas discutiram e brigaram por isso. Passados todos esses anos, lutamos tanto, aí chegou Bolsonaro ao poder e o que estamos vendo é a Amazônia em chamas, a madeira indo embora, a gasolina que vem do nosso petróleo sendo cobrada em dólares, o gás vendido à prestação de tão caro que está.

Vale a pena brigar com o nosso colega de trabalho, com o nosso vizinho, com o nosso familiar por causa do Bolsonaro, do Lula ou de qualquer outro governante? Isso é ser nacionalista?

A questão é que esses caras passam. Não existe essa história, como disse Bolsonaro outro dia, de que a próxima eleição será o bem contra o mal. Brigamos por ideais que eles nos pautam e quebramos a cara. O povo tem que defender o país, esse fica. Presidentes, como da Ucrânia, da Rússia, do Brasil, passarão e daqui a cinquenta anos, pouco do que fizeram restará, porque vários outros virão e farão diferente, como acabei de mostrar na questão da Petrobras e do petróleo. É lógico que alguns deixam um legado para o povo, o próprio Getúlio nos deixou a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, que está sendo retalhada atualmente, a Vale do Rio Doce, que Fernando Henrique Cardoso vendeu a preço de banana, e a Petrobras que também já está indo para o ralo.

Por isso, precisamos lutar pelo nosso futuro, pelos nossos direitos e pelo nosso país, mas não devemos perder a nossa vida por pessoas e governos passageiros.

Clique aqui e leia mais artigos de Walter dos Santos.

Conteúdo Relacionado

Luta pelo fim da violência contra o idoso continua – Milton Cavalo

Junho, o mês de combate à violência contra a pessoa idosa terminou. Mas a questão continua. A violência contra o idoso é uma questão...

A realidade e o povo falam mais alto que o mercado – Adilson Araújo

Pesquisa recente da Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), indica uma significativa alta na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que atingiu...

Dia de jogo e dia de luta – Ricardo Pereira de Oliveira

Tem uma famosa frase do escritor Nelson Rodrigues que diz: “A seleção é a Pátria de chuteiras”. Depois daqueles 7x1 que levamos da Alemanha...

Viver é aprender: o que a vida pode nos ensinar – Antônio Augusto De Queiroz

Vivemos em mundo caótico, confuso e sobretudo conflagrado, onde opiniões são formadas sem qualquer controle ou mediação, muitas vezes influenciadas por algoritmos, constituindo-se numa...

Com a Sabesp privatizada, você vai entrar pelo cano! – Eduardo Annunciato – Chicão

É no mínimo inexplicável a disposição que grande parte do povo paulista tem para desperdiçar o seu voto. Como o Estado mais rico do...