20.2 C
São Paulo
sábado, 28/03/2026

Objetivo deve ser resgatar a Petrobras

Data:

Compartilhe:

Objetivo deve ser resgatar a Petrobras para os brasileiros | Retomar o papel da empresa de instrumento essencial da soberania e do desenvolvimento nacionais precisa ser a meta do governo, do Congresso e da sociedade. Jogo de empurra não trará resultados, sequer os eleitorais.

Em choque há meses com os preços estratosféricos da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, os brasileiros passam agora à perplexidade diante de um debate lamentavelmente infrutífero, para dizer o mínimo, em torno da Petrobras.

A engenharia nacional e inúmeros especialistas cujo ponto de vista é o interesse nacional e o bem-estar da população brasileira vêm há tempos defendendo que a empresa seja resgatada como instrumento de desenvolvimento socioeconômico, energético e tecnológico, abandonando o papel de mera distribuidora de dividendos que adquiriu nos últimos anos.

Para isso, como apontou o seminário “Em defesa do petróleo brasileiro e da Petrobras”, realizado na semana passada pelo SEESP, em parceria com o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e o portal Outras Palavras, exigem-se medidas efetivas.

É inescapável recuperar o controle da empresa pelo Estado brasileiro e brecar o seu desmonte com a venda de ativos em curso atualmente, notadamente as refinarias. Ainda, é preciso que seja examinada com seriedade, sem bravatas ou discursos de palanque, a política de preços hoje praticada e se busque uma alternativa ao modelo atual que penaliza excessivamente tanto as famílias quanto o setor produtivo.

Há também que afastar a hipótese de privatização da Petrobras, o que obviamente só tornaria o quadro atual ainda pior, já que a sociedade perderia qualquer influência nas decisões relativas a ela, passando a imperar pura e simplesmente os interesses do mercado.

Por fim, além da companhia, o Brasil deve defender a sua riqueza em petróleo e usá-la estrategicamente para garantir avanços na indústria e ganhos que sejam revertidos em políticas públicas que beneficiem os cidadãos. Assim, ideias como a defendida pelo Ministério da Economia de vender antecipadamente o excedente do pré-sal pertencente à União e, pior, desvincular seus recursos do fundo social criado em 2010 estão totalmente na contramão de um plano estratégico para o País e precisam ser firmemente refutadas.

Cumprir as tarefas acima e enfrentar as ameaças de ainda maiores retrocessos certamente não são desafios banais, mas precisam ser encarados como fundamentais para que tenhamos chance de construir um futuro de prosperidade, justiça social e sustentabilidade.

Estejamos atentos e lutemos juntos.

Clique aqui e leia mais artigos de Murilo Pinheiro.

Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro é presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e da Federação Nacional da categoria (FNE)

Conteúdo Relacionado

Política e religião

Quase todo mundo segue uma religião. Quase todo mundo tem uma preferência política. Geralmente, a ligação das pessoas com a religião é constante e...

Salário mínimo – João Guilherme Vargas Netto

Em um País no qual a taxa de mais-valia é 100% (ler com atenção o artigo de Naercio Menezes Filho, no Valor de 20/2/26,...

Sinpro-SP explica a Assistencial

Aprovada de forma democrática nas assembleias dos diversos segmentos da categoria (Sesi, Senai, Senac, Educação Infantil, Educação Básica e Ensino Superior), a Contribuição Assistencial...

Justiça a Fiel Filho

A ditadura no Brasil (1964-1985), autoritária, criminosa, estúpida e sanguinária, perseguiu muitos trabalhadores.Entre suas vítimas está o metalúrgico e militante Manoel Fiel Filho. Trabalhador...

CNTC defende debate sério quanto ao fim da 6×1

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e as entidades sindicais comerciárias e de serviços em todo o País manifestam repúdio às declarações do...