Petrobras para quê e para quem?

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Instrumento essencial ao desenvolvimento nacional, a Petrobras não pode ser administrada como mera geradora de dividendos. É preciso compreender sua importância estratégica e brecar o desmonte em marcha.

Na semana passada, o noticiário econômico foi tomado pelas manchetes sobre lucros e distribuição de dividendos bilionários da Petrobras. Foram R$ 44,5 bilhões de ganhos em um único trimestre, dando sequência ao recorde de 2021, quando a companhia auferiu R$ 106 bi no ano. Não restam dúvidas que, do ponto de vista financeiro e dos acionistas que recebem os polpudos dividendos, é um resultado admirável. Mas seria esse o único propósito da empresa?

Para os responsáveis pela gestão da Petrobras nos últimos anos, lamentavelmente, a resposta parece ser sim. Entre as medidas lastimáveis está a adoção, em 2016, da política de Preço de Paridade de Importação (PPI), o que leva a sociedade brasileira a pagar pelos combustíveis valores que oscilam conforme a cotação internacional do petróleo e a variação cambial, ainda que o País detenha uma das maiores reservas do mundo a partir da descoberta das reservas do pré-sal.

Como se sabe, a opção tem pesado fortemente no bolso dos brasileiros, e não só aos que abastecem seus veículos. Os combustíveis caríssimos afetam toda a produção nacional, altamente dependente do transporte de cargas movido a diesel. A dinâmica tem tornado itens básicos inacessíveis a muitos, agravando o quadro de pobreza e fome no País.

Menos evidente que o litro da gasolina a R$ 9,00 e o botijão de gás a R$ 130,00, estão os reflexos de outras decisões que vêm paulatinamente promovendo perda de relevância pela Petrobras, a exemplo do fim da política de conteúdo local determinado em 2017, o que abalou a indústria nacional e provocou demissões no setor, afetando em especial a engenharia.

Também, conforme mostra matéria publicada no Jornal do Engenheiro, há verdadeiro desmonte em andamento, com destaque para a venda das refinarias brasileiras, o que pode impedir objetivamente a produção nacional de combustíveis e relegar a Petrobras a mera exploradora de petróleo.

Reverter esse quadro é tarefa que se coloca a toda a sociedade, que não pode abrir mão passivamente de um instrumento fundamental à construção de um futuro melhor. A Petrobras continua sendo essencial à defesa da soberania nacional e de um projeto de desenvolvimento que possa alçar o Brasil à condição de país justo, próspero, avançado científica e tecnologicamente, além de capaz de promover a preservação ambiental e o uso sustentável dos seus recursos naturais.

Sigamos juntos nesta luta que é da engenharia nacional e de todos os brasileiros.

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Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro é presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e da Federação Nacional da categoria (FNE)

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