Quase todo mundo segue uma religião. Quase todo mundo tem uma preferência política. Geralmente, a ligação das pessoas com a religião é constante e mais forte. Já a ligação com a política nem sempre é constante e costuma ter seus picos mais altos nos períodos eleitorais.
Sou de família católica e evangélica, e muitos dos meus têm ligações político-partidárias. Eu mesmo presido um Partido em Guarulhos, o PDT. Esse partido segue a tradição trabalhista de Getúlio, Jango e Brizola. No PDT não perguntamos ao filiado ou militante qual a sua opção religiosa.
Nossa Constituição define como laico o Estado brasileiro. Laico não quer dizer ateu. Quer dizer que o Estado nacional não se vincula a este ou àquele credo religioso. Já nossos políticos (quase 100%, eu diria) se declaram cristãos.
Durante décadas, o catolicismo predominou no País. Mesmo as pessoas que seguiam religiões de matriz africana costumavam também ir a missas, batizar filhos em igrejas católicas, guardar dias santos etc. Gerações e gerações assim fizeram, sem tutela partidária.
Mas de uns 20 anos para cá o cenário começou a mudar. O crescimento do neopentecostalismo (a origem é norte-americana) estimulou pastores a militar na política. Na maioria dos casos, os pastores optam por partidos conservadores ou de direita. Já a Igreja católica, os espíritas, os metodistas, os umbandistas e outros adotam uma postura mais discreta.
Por que falo da relação entre religião e política, entre religião e eleições? Porque nas eleições deste ano a presença religiosa tende a ser muito forte, com candidatos ligados a igrejas ou apoiados por elas. As máquinas religiosas terão, portanto, mais influência sobre o voto do eleitor.
A religião, qualquer que seja ela, trata prioritariamente do mundo espiritual. Já a política tende a se ater ao mundo concreto. Ou seja, economia, emprego, investimentos, educação, saúde, transportes, moradia, segurança, habitação, saneamento e outras questões ligadas à qualidade de vida do eleitor e sua família.
Por isso, desde já, sugiro ao eleitor observar:
- Qual o compromisso do candidato com a democracia?
- Qual o compromisso real com a geração de empregos?
- Qual o compromisso com a elevação de renda dos trabalhadores?
- Ele apoia ou não aumentar os impostos sobre os mais ricos?
- Qual sua posição quanto aos direitos trabalhistas e sociais?
- Qual sua postura e seu compromisso com a dignidade das mulheres?
Assim sendo, candidato sem compromisso com a democracia, a geração de empregos, a renda da população, a segurança e a dignidade da mulher não deve merecer o apoio e o voto dos trabalhadores e das trabalhadoras.
MULHERES – Sexta (27), nosso Departamento Feminino realizará na sede o tradicional Encontro de Mulheres, a partir das 8 horas. Convido todas as companheiras e os homens também.









