O movimento sindical precisa falar mais com a sociedade, sem abandonar sua missão principal, que é representar as categorias e atender as demandas de suas bases. A afirmação é de Roberto Santiago, presidente da Federação dos Trabalhadores em Asseio e Conservação no Estado de São Paulo, durante o Podcast Repórter Sindical nesta quarta, dia 7.
O tema do Podcast, apresentado pelo jornalista João Franzin, foi “O combate às Bets e a educação financeira”. Isso porque a Femaco e outras entidades do setor há mais de dois anos realizam campanhas dentro da ideia de “informar para proteger”. Um dos produtos dessa campanha é a Cartilha “Desvendando as Bets”, que também pode ser acessada no site da Femaco – www.femaco.org.br
A campanha prossegue, a fim de esclarecer os trabalhadores e também suas famílias. A Femaco disponibiliza a “Cartilha” e vídeos alusivos ao tema. De acordo com Roberto Santiago, o lançamento da campanha, da Cartilha e dos vídeos decorreu de pedidos dos Sindicatos filiados, “que viam o endividamento crescer entre os trabalhadores das suas bases e todo tipo de desagregação gerado pelo vício em Bets”.
Cipas – A campanha da Femaco e Sindicatos filiados buscou apoio nas Cipas (Comissão Interna da Prevenção de Acidentes – agora, Cipaa, após a NR-1 incluir assédio e transtornos mentais na pauta dos cipeiros e como responsabilidade da empresa. Ele diz: “O cipeiro tem liderança e sabe o que está acontecendo em seu ambiente de trabalho, assim como o RH da empresa”.
Para o dirigente, “o movimento sindical deve ampliar a pauta, abarcando temas como saneamento básico, segurança, saúde e transporte”, porque, ele diz, antes de ser trabalhadora, a pessoa é cidadã – “seu bairro é carente, os serviços são precários, e a pessoa, com justiça, quer mudar essa situação”.
O sindicalista, embora apoie a educação financeira da população, chama atenção para a dificuldade de se levar esse tema adiante, tendo em vista os baixos salários. Ele diz: “Às vezes a simples compra de um doce pra uma criança da casa tem que ser pensada, porque até mesmo despesas ínfimas podem afetar o orçamento das famílias”.
Roberto Santiago alerta para gestos e preconceitos do dia a dia, que afetam principalmente trabalhadores mais humildes, os chamados “invisíveis”. Para o dirigente, chamar de “tia” a senhora da limpeza e de “tio” o porteiro do prédio é uma forma preconceituosa, “porque as pessoas têm nome e a omissão desse nome diminui a dignidade e a humanidade da pessoa”.
Lula – Santiago, que já presidiu o Sindicato da categoria em São Paulo, foi deputado por dois mandatos, pelo PV-SP. Sua experiência orienta que, neste segundo turno, o voto deve ser em Lula. Ele diz: “A opção é entre quem já fez e tem experiência para fazer mais e quem nunca fez, embora a família toda viva da política”.
MAIS – Site da Femaco: www.femaco.org.br e Fenascon – www.fenascon.org.br









