Há décadas, o Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região atua contra acidentes do trabalho, doenças de origem laboral e, mais recentemente, no combate a enfermidades psicoprofissionais. Para tanto, amplia o apoio à formação de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Assédio nas fábricas da base, acima de 20 funcionários, e também assessora os cipeiros.
Nesta semana, os diretores marcaram presença em eleições de Cipaa ocorridas em três metalúrgicas, acompanhando todo o processo eleitoral. Há mais de 40 anos, o Sindicato conta com Departamento de Saúde e Segurança do Trabalhador, coordenado pelo diretor Nildo Queiroz, que também é Técnico em Segurança no Trabalho.
Nildo explica que saúde e segurança são regidas pela legislação, por meio de Normas Regulamentadoras (NRs) ou itens da Convenção Coletiva de Trabalho. Ele afirma: “A segurança individual é importante. Mas o fundamental é a empresa cuidar da proteção coletiva, de todos os ambientes de trabalho”.
Estabilidade – O número de cipeiros varia conforme o tamanho da empresa ou a natureza da atividade. Nildo destaca que os cipeiros eleitos gozam de estabilidade no emprego durante o mandato e mais um ano após seu término. Ele lembra que o membro da Cipaa deve fazer curso, bancado pela empresa, pra bem exercer suas funções.
Maio – Após duas prorrogações pelo ministro Luiz Marinho, do Trabalho e do Emprego, a expectativa é de que a nova NR-1, ampliada, passe a vigorar no mês de maio. Um problema crescente nos ambientes de trabalho é o assédio, que desencadeia estresse, burnout, depressão e outras doenças assemelhadas.
No setor fabril ou metalúrgico, os acidentes mais comuns atingem dedos e mãos dos operadores. Também há muitas reclamações de dores nas costas. Problemas dessa natureza, afora os males às vítimas, também prejudicam a produtividade.
Além dos problemas e acidentes provocados pela operação de máquinas, metalúrgicas também podem expor o trabalhador a calor muito forte, intoxicação por agentes químicos ou ruído excessivo.
Proteção – Nildo Queiroz lembra que 28 de fevereiro é o Dia Mundial de Combate às LER/Dort, doenças decorrentes de atividades repetitivas. Nessa data, todo ano, o Sindicato promove atos em fábricas, lembrando, afirma Nildo, “que o cuidado principal da empresa deve ser a proteção coletivas, tendo em vista que o EPI é um complemento”.
A empresa, perante a lei, responde pela saúde e segurança do emprego, até porque a Cipaa não tem como tirar do empregador o poder deliberativo. O cipeiro é um fiscal das condições de trabalho, apurando se a empresa cumpre as NRs e as garantias contidas na Convenção Coletiva. A eleição de Cipaa é anual e a empresa deve avisar, com antecedência, o Sindicato da categoria.
INSS – O Instituto previdenciário tem sido um gargalo incapaz de escoar as demandas oriundas dos ambientes de trabalho. A maior incidência que chega ao INSS está relacionada a problemas de coluna, pernas e movimentos repetitivos. Em segundo está o grupo de doenças que afetam o emocional e o mental.
Integrantes – A Norma regula número mínimo de quatro cipeiros, ou seja, dois titulares e seus suplentes. Mas tem Cipa com até 50 pessoas, a depender do tamanho da empresa, departamentos ou natureza da atividade.
Composição – Nildo Queiroz observa que não é pequeno o número de jovens cipeiros. Já a participação feminina é menor. Para ele, as pessoas temem futuras represálias ou perda de tempo. Porém, ele lembra, reunião de Cipaa ocorre sempre durante o expediente.
“Caro mesmo é a insegurança”, afirma Nildo, na contramão do discurso patronal, que geralmente acha elevado o custo de investir na prevenção.
Elenildo Queiroz Santos (Nildo) é funcionário da metalúrgica Bardella, em Guarulhos (Cumbica). Técnico em Segurança no Trabalho e Professor no Data Brasil, ele integra o Diesat, tendo já presidido esse Departamento criado pelo sindicalismo.
MAIS – Sindicato, Deptº de Segurança e Saúde, Diesat, Fundacentro.









