20.9 C
São Paulo
domingo, 8/03/2026

Sonia, do Sindcine, exalta Fernanda Torres

Data:

Compartilhe:

A premiação da atriz Fernanda Torres, com o Globo de Ouro, dia 5, gerou fortes emoções. Uma das pessoas tocadas por esse sentimento é Sonia Santana, reconhecida profissional da produção e presidente do Sindcine, que representa os técnicos cinematográficos em São Paulo, DF e mais cinco Estados.

A Agência Sindical entrevistou Sonia e publica a matéria neste 8 de janeiro, data que remete à tentativa de derrubada dos Poderes em 2023 por grupos extremistas de origem bolsonarista.

Choro – “Não tive como conter o choro ao acompanhar a premiação. Foi um momento de forte emoção e penso que o Brasil, nossa cultura nacional e a democracia também foram premiadas”.

Talento – “O talento da Fernanda Torres é impressionante. Penso que ela reúne as condições para o Oscar, o que seria também uma forma de reconhecer o papel do cinema brasileiro, que sempre foi um espelho do País e um instrumento de observar, contar e recontar nossa história”.

Público – “Impressionante como esse filme mexe com as emoções do público. Ao final da exibição, as pessoas aplaudem, choram, lavam a alma”.

Gerações – “O filme Ainda Estou Aqui é muito bom, sob todos os aspectos. Tenho esperança de que seu sucesso e sua repercussão estimulem as novas gerações a se interessar mais pelo que aconteceu aqui na ditadura, que não teve nada de ditabranda, versão que alguns setores políticos e da mídia tentam nos impor”.

Coletivo – “A produção de um filme é processo coletivo, que requer muita gente, muita qualidade técnica, muito profissionalismo, muito trabalho, muito compromisso com o próprio cinema”.

Narrativa – “O prêmio é uma porrada na extrema direita, que tentou desqualificar o filme, inclusive com a mentira de que a produção foi bancada pela Lei Rouanet, quando todo mundo sabe que essa Lei não se aplica a filmes longa-metragem. A narrativa do filme acaba prevalecendo e de certa forma restabelece a verdadeira história quanto as perseguições e a violência da ditadura”.

Técnica – “O filme é primoroso, seja pela direção, as atuações emocionantes da Fernanda mãe e da Fernanda Filha, a iluminação, a direção de fotografia, a reconstituição da época e outros aspectos que exigem esmero técnico e apuro profissional”.

Mercado – “O audiovisual está crescendo, com equipamentos modernos, novas visões e novas ferramentas. O êxito do filme do Walter Salles tem tudo pra estimular nosso setor, até pra que a própria Ancine dialogue mais com o setor e invista em produções fora do eixo Rio-São Paulo”.

Renda – “O cinema não se apropria de recursos. Ao contrário. Gera empregos, movimenta profissionais, utiliza equipamentos. Somos indústria e colocamos dinheiro no mercado”.

Mulher – “Embora o filme trate da história de uma vítima, o Rubens Paiva, é a mulher – em dois tempos, vividos na tela pela mãe e a filha – que está na centralidade da obra. Cito outra mulher importante, a presidente Dilma. Não fosse pela Comissão Nacional da Verdade talvez esse filme nem poderia ter sido feito”.

Conhecimento – Sonia Santana e seu marido Victor Lopes atuaram na produção do filme “Feliz Ano Velho”, de Roberto Gervitz, lançado em 1988. “Cuidamos dos efeitos especiais”, ela recorda. O livro é a primeira obra literária de Marcelo Rubem Paiva, tendo se transformado num fenômeno editorial e de vendas. Marcelo, décadas depois, escreveu o “Ainda Estou Aqui”, no qual se baseia o filme homônimo, a caminho do Oscar. Oxalá.

MAIS – Site do Sindcine. E-mail do Sindicato sindcinedf@sindcine.com.br. Ou Sonia Santana soniasantana@sindcine.com.br.

Conteúdo Relacionado

Lula está certo quanto à escala 6×1

Lula tá certo(João Batista Franzin)Atribui-se ao brasileiro memória curta. Ainda que sim, quem não tem esse direito é o movimento sindical. Digo porque, na...

II Conferência Nacional valoriza diálogo e renda

Terminou em São Paulo, dia 5, a II Conferência Nacional do Trabalho (CNT). O evento nacional foi precedido das 27 etapas estaduais e distritais...

Ministro destaca avanços na agricultura familiar

Dia 27 de fevereiro, a Agência Sindical entrevistou Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Ele participava, em São Paulo, de cerimônia...

Manobra na Câmara ameaça direitos

Contra a redução da jornada de trabalho, a bancada bolsonarista liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) apresentou o Requerimento 477/2026, visando apensar a PEC...

Pais terão licença maior

O Senado aprovou dia 4 Projeto que amplia gradualmente a licença-paternidade, passando dos atuais cinco para 20 dias. Benefício será concedido aos pais, nas...