20.1 C
São Paulo
quarta-feira, 6/05/2026

Legislar em causa própria. Pode?

Data:

Compartilhe:

É necessário lembrar como os articuladores dos tais governos liberais tratam o trabalhador.

Em 2017, houve a Reforma Trabalhista, que tinha como propósito modernizar as relações Capital-Trabalho. Porém, nada de moderno aconteceu; nenhuma das propostas foi contemplada e a CLT sofreu um desgaste imenso, que, agora, quase cinco anos depois, está sendo melhor estudada por especialistas que à época aplaudiam a nova Lei.

O Sindicalismo foi ferido de morte com o fim da compulsoriedade da Contribuição Sindical, que arrecadava 0,25% do salário mensal do trabalhador. Sindicalismo que conseguiu dezenas de direitos e ainda aumentos incorporados aos salários e que sempre foram várias vezes maiores que o valor da contribuição.

Os Sindicatos foram obrigados a dispensar assessorias e funcionários. O resultado prático está sendo um número nunca visto de Convenções Coletivas sem poder de repor a inflação.

Quem perdeu com isso foi o próprio Trabalhador que vê seu salário reduzido, visto que as negociações contemplavam toda categoria profissional e não só os associados da entidade.
Na semana que passou, vimos o Congresso Nacional aprovar, em tempo recorde, aumento no Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões, com apoio de toda a base do governo, inclusive os filhos do senhor Chefe do Executivo.

O que o Trabalhador tem a ver com isso? Apenas que todo esse dinheiro será retirado da Educação, Cultura, Saúde, Segurança Pública e outras áreas que são de nosso interesse.

O Estado não gera renda. Nós é que pagamos através de impostos embutidos em tudo o que necessitamos e compramos.

A repercussão negativa foi geral e o senhor Presidente logo colocou a culpa em quem presidiu a sessão que aprovou a LDO, dizendo que irá vetar o aumento.

Comentários diversos indicam nova negociação para algo em torno de R$ 4 bilhões. Em manifestação pessoal, o Presidente disse que no máximo aceita a correção pela inflação.

Cabe perguntar se haverá correção salarial do funcionalismo pelo índice da inflação – congelada pelo “Teto de Gastos” – ou estamos assistindo a mais um jogo de cena, tentando empurrar a culpa para o Congresso.

O que já havia sido decidido pela LDO não era do conhecimento de Sua Excelência?

Nessas horas, temos que olhar pra todos os lados. O peso da responsabilidade tem que ser cobrado e devemos estar atentos: afinal, quando é para a defesa do Trabalhador vale a extinção da arrecadação e quando é para os Partidos tudo pode?

Professor Oswaldo Augusto de Barros
Coordenador do FSTCNTEECFEPAAE

Acesse – https://fstsindical.com.br/novo/

Clique aqui e leia mais opiniões do professor Oswaldo Augusto de Barros

Conteúdo Relacionado

A democracia sitiada por dentro – Marcos Verlaine

Há paradoxo cada vez mais evidente no cenário político contemporâneo: a extrema-direita passou a reivindicar, com ênfase, a defesa da democracia e das liberdades...

Celebração descentralizada, pauta unificada – Murilo Pinheiro

Neste ano, o 1º de Maio revelou uma dinâmica que merece destaque: a descentralização das mobilizações, com atos realizados em diversas cidades brasileiras, refletindo...

Bolsonaristas atacam a democracia – Pedro Uczai

Um verdadeiro deboche ao povo brasileiro ocorreu no Congresso Nacional nesta quinta-feira (30), com a derrubada dos vetos do presidente Lula ao PL da...

1º de Maio: Lutar pelo fim da escala 6×1 – Eusébio Luís Pinto Neto

A data histórica do 1º de Maio ganha este ano um significado especial. Vamos reforçar nas ruas a mobilização nacional pelo fim da escala...

Cadastro do 1º de Maio – João Guilherme Vargas Netto

As direções das centrais sindicais determinaram que as comemorações do 1º de Maio, este ano, fossem descentralizadas, aproximando-as dos trabalhadores e das trabalhadoras e...