Sofrimento a céu aberto em São Paulo

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São Paulo precisa encontrar um fim para mazelas sociais chocantes, como o enorme contingente de pessoas vivendo nas ruas da metrópole mais rica do País. Um olhar mais atento do poder público para sua população seria uma ótima forma de celebrar os 468 anos completados neste 25 de janeiro.

São Paulo, a maior, mais rica e mais diversa das metrópoles brasileiras, completa 468 anos nesta terça-feira (25/1), com justas celebrações, mas também com reflexão obrigatória sobre suas mazelas socioeconômicas que requerem solução urgente.

Entre essas, a dolorosa, humilhante, perigosa e insalubre situação das pessoas vivendo nas ruas. Dados divulgados pela Prefeitura da Capital e repercutidos pelos meios de comunicação dão conta de quase 32 mil pessoas sem-teto em 2021, número que representa o dobro do observado em 2015, ano que marca o início da crise econômica no País.

Só durante o último biênio, período da pandemia do novo coronavírus, a ampliação desse contingente foi de cerca de 7.500 cidadãos, com destaque para o número de famílias que se viram desabrigadas.

O quadro, portanto, reflete a grave situação geral vivida no País, o que não exime a administração municipal da responsabilidade de encontrar soluções. Essas obviamente devem ser buscadas com planejamento e ações coordenadas que tenham por base a compreensão da realidade daqueles a quem pretendem beneficiar. É preciso garantir abrigo adequado, mas também reinserção dessas pessoas que se veem sem teto, emprego, escola para os filhos, acesso à saúde ou a qualquer serviço público. Ou seja, é preciso lhes restituir o direito à cidadania.

Além de ocupar efetivamente e de forma qualificada a atuação do poder público, o drama dos sem-teto em São Paulo também exige a sensibilização de todos nós, que, muitas vezes, de tão frequente a cena, acabamos por nos habituarmos a desviar de nossos semelhantes nas calçadas. A solidariedade, a compaixão e a percepção de que somos todos seres humanos devem guiar nosso comportamento frente a esse problema e fazer com que colaboremos da forma que estiver ao nosso alcance para transformar tal realidade.

Essa triste situação, exposta a céu aberto na cidade que não para, remete também às questões urbanas de São Paulo, como o déficit habitacional, para as quais – nunca é demais lembrar – a engenharia e seus profissionais podem contribuir decisivamente.

Por isso mesmo, o SEESP vem reivindicando a contratação de quadros técnicos já concursados para a administração, tendo em vista as complexas e enormes demandas da megalópole e seus 12 milhões de habitantes. No ano passado, a Capital contava apenas 619 engenheiros, já incluindo-se o acréscimo dos 36 nomeados em julho. A estimativa é de que seria necessário pelo menos o dobro.

Ainda, proposta do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que em muito pode melhorar a segurança dos paulistanos, além de propiciar melhor uso dos recursos públicos, é a implantação de um sistema de Engenharia de Manutenção para assegurar medidas preventivas a edifícios, pontes, viadutos e barragens.

Podemos e devemos trabalhar para que a Capital supere seus problemas e seja uma cidade capaz de oferecer qualidade de vida a todos os habitantes. Comemoremos este aniversário comprometidos com essa meta. Viva São Paulo!

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