21 C
São Paulo
terça-feira, 3/02/2026

Tolerância zero com o assédio!

Data:

Compartilhe:

A classe patronal é boa no discurso quando defende o equilíbrio nas relações capital-trabalho. Nós também defendemos.

Mas não tem a mesma qualidade na prática. É o caso do que está acontecendo agora no segundo turno com o chamado assédio eleitoral nos locais de trabalho.

Muitos empresários abusam do poder de mando e tentam impor o voto de cabresto. Até que façam campanha pro candidato deles, jogo jogado, faz parte da democracia. O problema é quando extrapolam, tentam impor o voto, fazem ameaças de punir quem votar no outro candidato e, por incrível que pareça, oferecem até dinheiro pra quem for de Bolsonaro.

Sou eu que digo isso? Não. Quem diz é o Ministério Público do Trabalho (MPT), que tem atuado do Oiapoque ao Chuí, verificando denúncias, buscando apurar casos de assédio ou mesmo partindo pra aplicar multas quando o abuso é flagrante.

Nessa luta, que infelizmente extrapola as regras do jogo democrático, o sindicalismo age com união, firmeza e eficiência. A ação mais efetiva tem sido junto ao MPT. Ou seja, o Sindicato recebe a denúncia, envia ao órgão, que faz a triagem e, em havendo indícios, inicia os procedimentos cabíveis.

A ação sindical, sempre baseada em fatos concretos, chamou a atenção da grande mídia. Diversos jornais, entre eles O Globo e a Folha de S.Paulo, noticiaram casos e também colocaram em campo equipes de reportagem.

O próprio Jornal Nacional, assim como o Canal Globo News, tratou do assunto em recentes reportagens. Isso é muito importante, pois, além de informar o que está ocorrendo, a mídia alerta o patronato sobre os riscos desse abuso e orienta o trabalhador a se defender.

As Centrais Sindicais deram um importante passo adiante quando criaram site específico pra receber denúncias (assedioeleitoralecrime.com.br). Na medida em que os trabalhadores tomaram conhecimento desse canal, passaram a enviar denúncias sobre assédio eleitoral em todo tipo de estabelecimento.

Os dirigentes das Centrais fazem o seguinte: recebem a denúncia, digamos, de uma cidade em Minas Gerais. Aí, o comando nacional avisa as Estaduais, que apuram se aquela empresa está vinculada à base da Central A ou B. Depois disso, a Central local aciona o Sindicato da sua base ou encaminha diretamente ao Ministério Público do Trabalho.

O combate ao assédio eleitoral por patrões ou elementos ligados às chefias une e mobiliza o sindicalismo e o trabalhador assediado sabe que terá com quem contar. Isso aumenta a confiança na instituição sindical.

Toda história tem personagens. Quero, portanto, destacar, aqui, o papel de proa da Conalis, órgão do Ministério Público. E em nome do companheiro Juruna, secretário-geral da Força Sindical, parabenizar todos os dirigentes que abraçaram essa causa, em defesa do voto secreto, em defesa da causa democrática.

Clique aqui e leia mais artigos.

Acesse – https://fenepospetro.org.br/

Conteúdo Relacionado

É urgente reduzir a taxa de juros – Murilo Pinheiro

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026, realizada na quarta-feira (28/01), o Banco Central decidiu manter a Selic em estratosféricos...

Voto, organização e resistência – Eusébio Pinto Neto

A força motriz da nossa economia está nas mãos dos mais de 110 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Somos nós que geramos toda...

Trabalho e renda – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

O grande problema nacional é a concentração de renda. Poucos com muito e muitos com pouco. Os ricos são donos do dinheiro, terras, bancos,...

Cuidar da safra sindical – João Guilherme Vargas Netto

Na ação sindical não há entressafra. Exceto nos períodos de férias coletivas ou de grandes feriados a atividade sindical é constante.Mesmo entre uma campanha...

Engenheiros são essenciais ao bem-estar e ao desenvolvimento – Murilo Pinheiro

Esses quadros qualificados são imprescindíveis para que os municípios em todo o Brasil possam planejar e executar suas ações. A questão é urgente em...