Qual é a realidade do Executivo e do Legislativo? – Artur Bueno de Camargo

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Temos a plena consciência de que o governo Lula tem princípios democráticos, é defensor dos direitos trabalhistas, sociais, defende a igualdades de oportunidades e é contra os preconceitos; defensor dos direitos humanos.

Mas foram eleitos os parlamentares, em sua maioria, que parecem não ter nenhum compromisso com os princípios do chefe do executivo – muito menos com o país – e comportam-se defendendo as políticas bolsonaristas, que além de antidemocráticas, privilegiam especuladores e o capitalismo mais perverso em detrimento dos mais necessitados.

Assim, o governo Lula não tem encontrado outras alternativas para governar se não atender às exigências do chamado Centrão, composto de parlamentares liderados pelo presidente da Câmara de Deputados, Arthur Lira, que só viabiliza os projetos de interesses do Brasil se receber, em troca, poder e verbas para o seu grupo de parlamentares.

A velocidade com que o Centrão está ocupando o poder é preocupante; corremos o risco de termos eleito um presidente de centro-esquerda e sermos governados – aliás, “desgovernados” – pela extrema-direita. E este filme nós já conhecemos, com o golpe que a presidenta Dilma sofreu e tudo o que veio depois.

Em apenas 10 meses do governo Lula, ministérios importantes já foram entregues para que Artur Lira distribua aos partidos do Centrão. Já foram, o Ministério do Esporte, de Portos e Aeroportos e, agora, a presidência da Caixa Econômica Federal, em troca de aprovar a taxação das grandes fortunas. Aliás, o governo ainda deve uma explicação para a sociedade: o congresso aprovou o imposto sobre as fortunas? Ou os detentores das grandes fortunas tiveram um perdão de parte de suas dívidas com o governo?

Os movimentos sindicais, sociais e a sociedade em geral, que defendem a Democracia e o Estado de Direito precisam intensificar os movimentos para barrar os avanços da extrema-direita. E isso só é possível com a participação na política. Para ocupar os espaços, as eleições municipais serão um termômetro para as eleições majoritárias de 2026.

Artur Bueno de Camargo – Presidente da CNTA Afins

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