20.2 C
São Paulo
quarta-feira, 13/05/2026

Teotônio na greve do ABC, 1980

Data:

Compartilhe:

Em 1980, a longa greve dos metalúrgicos do ABC chegou num impasse. Embora a pauta fosse basicamente econômica (15% de aumento), a ditadura politizou o movimento, atiçando o patronato mais radical e intimidando setores empresariais e do próprio governo que apoiavam a saída negociada.

O Senado documentou parte do esforço pró-negociação. A peça principal, no microfone da casa, é o relato do senador Teotônio Vilela (AL), acerca de suas gestões pelo atendimento das reivindicações e fim do conflito que durou 41 dias. Assim ele abre sua manifestação: “Fui a São Paulo, senhor Presidente, a convite da direção local do meu Partido. Lá, expuseram-me a tensa situação em que vivia e ainda vive aquele Estado”. Ele era do PMDB.

As falas do futuro “Menestrel das Alagoas”, bem como os apartes, a favor ou contra, nos relembram o alto nível dos debates, o respeito entre as posições opostas, as gestões do Cardeal Arns, a solidariedade ao movimento e os exageros do regime.

À certa altura, a ditadura enquadrou Lula e outros 14 dirigentes na Lei de Segurança Nacional e teve a petulância de prender os advogados José Carlos Dias e Dalmo Dallari. Assim, Teotônio encerra seu primeiro relato: “Vai aqui a minha denúncia, Sr. Presidente, e não adianta estar-se aqui a procurar este ou aquele ministro, esta ou aquela autoridade; só há um responsável, é o Presidente da República, por tudo o que vier acontecer em São Bernardo”.

Eram 140 mil de braços cruzados, orientados por Lula e outros líderes. Teotônio Vilela desabafa: “O aspecto mais terrível que verifico na situação dos metalúrgicos é a desumanidade com que esses homens vêm sendo tratados – ludibriados desde a primeira hora, quando apresentaram a sua pauta de reivindicações, pauta esta que não foi discutida”. O senador ressalta, persistentemente, a insensibilidade dos patrões e a repressão pelo regime ditatorial”.

Aquele movimento atravessou o histórico 1º de Maio de 1980, durando mais 10 dias. Teotônio lamenta a submissão do empresariado ao governo ditatorial e comenta que, com isso, os empresários teriam na volta trabalhadores humilhados, de cabeça baixa, sentindo-se escravizados.

Tempos – Mudaram-se os tempos. O Senado, enquanto Câmara revisora, era um fórum de debates e resoluções de interesse geral, ainda que sob pressão da ditadura.
Sou jornalista e não pesquisador. Peço, data vênia, que perdoem as incorreções que certamente o texto trará.

João Franzin, Agência Sindical.

Conteúdo Relacionado

Audiência em SP terá Motta e Marinho

Acontece nesta quinta (14), em São Paulo, audiência pública convocada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que analisa as Propostas de Emenda à...

Sindicato critica Sabesp pela tragédia em SP

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo publicou Nota alusiva à explosão ocorrida segunda (11), durante obras na rede de saneamento, no...

Comissão sobre fim da 6×1 se reúne em SP

O Congresso Nacional tem prazos a cumprir. O governo federal tem interesse nas matérias. O movimento sindical tem pressa a fim de evitar atrasos...

Cesta básica aumenta nas 27 capitais

Em 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) firmaram parceria para acompanhamento dos preços...

Assembleia Virtual Nacional pelo fim da 6×1

No dia 13 as Centrais Sindicais farão a Assembleia Virtual Nacional Contra a Escala 6x1, uma das estratégias pela redução da jornada de trabalho...