Mais e melhores engenheiros – Murilo Pinheiro

0
23

O ensino de Engenharia é questão que exige atenção imediata não só da categoria e de suas entidades representativas, mas também da academia, dos órgãos governamentais da educação e do setor produtivo. Profissionais por excelência ligados ao desenvolvimento, é essencial que o Brasil disponha desses quadros em quantidade suficiente e com a qualificação que os desafios contemporâneos e do futuro exigem.

Com esse norte, a Federação Nacional dos Engenheiros realiza no próximo dia 18, a partir das 9 horas, no auditório do SEESP, em São Paulo, o seminário “Ensino de engenharia: quantidade, qualidade e empregabilidade”. Aberto ao público, o evento reunirá especialistas, representantes do governo, do setor produtivo e do mundo acadêmico para um amplo debate sobre o tema, abordando a necessidade de sólida formação na graduação, demanda por educação continuada e a valorização no mercado de trabalho.

Aspecto essencial a ser tratado é a necessidade de assegurar cursos de graduação 100% presenciais, tendo em vista as características da profissão. Em suas inúmeras modalidades e áreas de atuação, a engenharia é regulamentada por lei e fiscalizada, tendo em vista a necessidade imperativa de que seja exercida por profissionais legalmente habilitados e tecnicamente competentes.

Garantir que essas premissas sejam respeitadas é essencial para que haja boas soluções tecnológicas, otimização de recursos, preservação ambiental e, claro, segurança e bem-estar à população. O avanço da inteligência artificial como ferramenta já indispensável na economia em geral e, em especial, na engenharia só acentua a premência de profissionais capazes, aptos a avaliar riscos e tomar decisões com ética e responsabilidade técnica, socioeconômica, ambiental e humana.

Sempre é bom lembrar que a Engenharia está presente em tudo ao nosso redor e tem desafios os mais complexos, passando pela produção de alimentos, construção de edifícios, pontes e viadutos, projetos de usinas elétricas, mobilidade e saneamento, desenvolvimento de equipamentos diversos – inclusive hospitalares, para citar apenas alguns.

Além da formação teórica de alto nível, há também demanda evidente por atividades práticas relevantes voltadas à preparação para a solução de problemas reais da sociedade.  Daí ser premente o debate para mudar a atual regra do Ministério da Educação que classifica a engenharia como semipresencial e permite até 60% de aulas a distância.

A atividade programada pela FNE será uma grande oportunidade para travar essa discussão em alto nível e pactuar propostas factíveis para que avancemos nesse tema.

Vamos juntos refletir e agir pelo bem do futuro do País.

Murilo Pinheiro. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo e da Federação Nacional da categoria (FNE).