Centrais repudiam chacina no Rio de Janeiro

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As Centrais Sindicais divulgaram Nota de Repúdio à chacina ocorrida terça (28) nos complexos da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro. A “Operação Contenção”, realizada pelo governo Cláudio Castro (PL), resultou em mais de 130 mortes, incluindo quatro policiais. É a maior chacina da história do País, à frente do Massacre do Carandiru (111 mortos, em 1992).

Para a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, Intersindical e Pública, a operação “revelou uma trágica e inaceitável política de segurança pública que, em vez de proteger, extermina”. As Centrais afirmam: “Trata-se de uma chacina de proporções históricas, com repercussões devastadoras para qualquer ser humano que valorize a vida e o Estado de direito”.

O cenário de guerra na Praça São Lucas (complexo da Penha), onde mais de 60 corpos foram reunidos e enfileirados por moradores locais que aguardavam a chegada do IML, foi lembrado pelas entidades: “O nível de violência aplicado em plena luz do dia, em uma das maiores cidades do mundo, arrasta o país de volta à barbárie e à impunidade”, denunciam.

A Nota:

Nota pública das Centrais Sindicais sobre a chacina no Rio de Janeiro

O espetáculo de barbárie ocorrido no Rio de Janeiro em 28 de outubro, que deixou um saldo macabro de mais de 130 mortos, fere a consciência nacional e envergonha o Brasil perante o mundo.

O massacre, resultado da Operação Contenção, revelou uma trágica e inaceitável política de segurança pública que, em vez de proteger, extermina. Trata-se de uma chacina de proporções históricas, com repercussões devastadoras para qualquer ser humano que valorize a vida e o Estado de direito.

A ação, desastrosamente comandada pelo governador Cláudio Castro, não apenas vitimou moradores das comunidades, mas estigmatizou toda a sociedade carioca, reforçando estereótipos, o medo e o abismo social que divide o país. O crime deve ser combatido, sim – com firmeza, mas dentro dos limites da Constituição e da lei.

Quando o próprio Estado assume o direito de matar sumariamente, ele se converte, ele mesmo, em agente da ilegalidade. O nível de violência aplicado em plena luz do dia, em uma das maiores cidades do mundo, arrasta o país de volta à barbárie e à impunidade.

O Supremo Tribunal Federal, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, determinou que o governador Cláudio Castro preste informações detalhadas sobre a operação. A decisão marca um passo importante na tentativa de conter o avanço da violência institucional no país.

Reiteramos apoio à ação do STF e clamamos que o governo federal atue com firmeza para interromper a escalada de selvageria e descontrole que se abateu sobre o Rio de Janeiro.

O Brasil precisa reafirmar que não há paz possível fora da legalidade e que a vida – todas as vidas – deve ser o princípio e o fim de qualquer política pública.

São Paulo, 29 de outubro de 2025

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores); Miguel Torres, presidente da Força Sindical; Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores); Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil); Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros); Nilza Pereira de Almeida, secretária Geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora; José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor.