Mais de 200 pessoas lotaram na noite da segunda (19) o auditório da antiga sede dos Metalúrgicos de São Paulo (hoje Sindnap), na rua do Carmo, Centro de São Paulo.
Participavam da cerimônia em homenagem à memória do Delegado Sindical Manoel Fiel Filho, sequestrado pela ditadura e morto, após torturas, no Doi-Codi, dia 17 de janeiro de 1976.
Além das homenagens, houve exibição do filme “Perdão, Mister Fiel” (frase atribuída ao agente da CIA Dan Mitrione) e lançamento livro “Carrascos da Ditadura”, ambos de Jorge Oliveira. O evento contou com a presença das filhas Aparecida e Márcia.

Integrante do Partido Comunista Brasileiro, sequestrado, torturado e morto por carregar um exemplar do jornal do PCB, o prensista Manoel Fiel Filho resiste na memória de sindicalistas de então, de dirigentes atuais e principalmente entre seus companheiros do antigo Partidão, que eram maioria no plenário de uma entidade onde, por vários anos, prevaleceu a direção de Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão.
Raros jovens presentes. Portanto, no auditório prevaleciam os cabelos brancos – pessoas comprometidas com a democracia e a memória, mas também preocupadas em como fazer chegar à juventude o conhecimento real do que é uma ditadura, a violência, a repressão, as perseguições aos que se opõem ao arbítrio.
Apaziguador – Em seu depoimento, a filha Márcia destacou o caráter apaziguador de Manoel Fiel Filho: “Meu pai era uma pessoa que buscava sempre apaziguar. Ele dizia que não se devia discutir nem política, nem futebol, nem religião. Era um pai carinhoso e amoroso. Nossa vida já era difícil com ele trabalhando; sem ele, ficou muito mais difícil. Meu pai nunca gostou de confronto. Mesmo esse jornalzinho, ninguém em casa sabia da existência”.

Guarulhos – O Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região compareceu com uma delegação de diretores, liderada pelo presidente Josinaldo José de Barros (Cabeça). A entidade tem investido nas eleições de delegados sindicais nas fábricas.

Lei – Presente o metalúrgico e ex-vereador paulistano Cláudio Prado, autor da Lei nº 15.388, junho de 2010, que instituiu no Município de São Paulo a data de 17 de janeiro como “Dia do Delegado Sindical”. Frei Chico, dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados também compareceu.

A organização do evento ficou por conta de Andréia Angerami Gato, secretária-geral do Sindnap. Diversas Centrais Sindicais presentes, que tiveram como porta-voz Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB.
MAIS – Sites da Fundação Astrojildo Pereira (promotora do evento); Centro de Memória Sindical; e Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo









