O cinema brasileiro vive uma temporada feliz, com vários filmes premiados e disputando, cabeça a cabeça, premiações em festivais historicamente prestigiados. O “Agente Secreto” recebeu quatro indicações ao Oscar, prêmio mais badalado da indústria cinematográfica mundial. Uma quinta indicação foi para Adolpho Veloso, em Melhor Fotografia para o filme “Sonhos de Trem”.
Sonia Santana, presidente do Sindcine, participa do Festival de Tiradentes – começou dia 23 e vai até 30 de janeiro. Ela conta: “Participam produções nacionais. São 137 filmes e cerca de 1.500 curta-metragens”. A pequena Tiradentes (MG) vive dias abarrotados, com profissionais variados do audiovisual, produtoras, empresas ligadas ao setor, parlamentares e representantes de Ministérios.

O Festival de Tiradentes, patrocinado pela Petrobras, governo do Estado de MG, Prefeituras e outros parceiros, abre a temporada 2026 de festivais. Patrocínio máster é da Petrobras, considerada “mãe do cinema e do audiovisual”, segundo Sonia Santana.
Paralelamente ao Festival, a cidade é animada por atrações musicais e eventos de literatura. Ano passado, participaram, entre outros, Leonardo Boff e a ministra Carmem Lúcia, do STF. Este ano, com direito a lançamento de livro, Frei Beto. As resoluções, premiações e demais fatos relevantes alusivos são publicados, anualmente, num livro, disputado pelos cinéfilos em geral.
Fomento – As discussões nos Grupos de Trabalho giram, na maioria das vezes, em torno de políticas públicas para o audiovisual e fomento às produções. Empresas produtoras ficam de olho nos editais e prazos.
Enquanto sindicalista, Sonia procura introduzir discussões acerca das condições de trabalho, valores pagos por tarefa, formas de pagamento e jornadas. Embora se trabalhe no sistema 5×2, ela reclama dos turnos de 12 horas, “principalmente no streaming, onde a jornada no set é de 60 horas por semana, o que gera exaustão, burnout e dificuldades de relacionamento na vida familiar”.
Polos – Sonia vê com otimismo o surgimento de novos polos, além de São Paulo e Rio. Ela aponta, entre outros, os polos do Rio Grande do Sul e Pernambuco. Desses podem sair produções que vão disputar mercado aqui e lá fora. Ela ressalva que, pra essa disputa, “é preciso mover grandes quantias de recursos e essa tarefa deve caber às distribuidoras”.
Sonia também defende mudança nos procedimentos da Ancine quanto às coproduções. Observa que não pode haver coprodução entre empresas brasileiras, mas somente entre uma produtora local e outra estrangeira.
Movimento – Afora as pessoas, empresas e órgãos governamentais ligados ao audiovisual, a sindicalista aponta o movimento turístico. “Aqui, em Ouro Preto e outras cidades próximas, os hotéis, pousadas e restaurantes estão todos lotados”, diz. Ou seja, o cinema tem um ciclo que vai muito além da tela. Até o material das tendas é depois reaproveitado em sacolas e outros utensílios.









