Engenheiros são essenciais ao bem-estar – Murilo Pinheiro

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A gestão dos municípios não funciona adequadamente por improviso. Em cada via transitável, sistema de drenagem, edifícios em condições adequadas, obras de arte com a segurança garantida, sistemas de iluminação pública, entre muitas outras demandas, há decisões técnicas que exigem planejamento e competência na execução e fiscalização. Por isso mesmo, a presença de engenheiros entre os quadros da Administração é condição básica para o bem-estar da população e para o desenvolvimento local sustentável.

Nos municípios brasileiros, especialmente nos médios e grandes centros urbanos, a ausência ou insuficiência de profissionais qualificados compromete desde a elaboração de projetos até a fiscalização de contratos e obras. Sem engenheiros, o poder público perde capacidade de planejar o crescimento urbano, de prevenir riscos, de responder a emergências climáticas e de garantir que recursos públicos sejam bem aplicados. O resultado aparece no cotidiano: obras atrasadas, serviços precários, desperdício de dinheiro e aumento da vulnerabilidade social.

Essa realidade ganha contornos ainda mais preocupantes em São Paulo, maior metrópole do País, que completou 472 anos no domingo (25/01). São quase 12 milhões de habitantes, infraestrutura complexa, forte pressão ambiental e enormes desigualdades territoriais com um número de profissionais muito aquém do necessário para fazer frente a esses desafios.

Atualmente, há apenas 1.098 funcionários no quadro de profissionais de Engenharia, Arquitetura, Agronomia e Geologia (QEAG). Destes, 23% estão em abono de permanência, ou seja, encontram-se ativos, porém já possuem todos os requisitos para se aposentar.

É urgente, portanto, a realização de concursos, com carreiras e remuneração atrativas. É preciso compreender que engenheiros no serviço público não são custo, mas investimento em segurança, transparência e qualidade de vida.

Ao completar mais um aniversário, São Paulo tem diante de si uma escolha estratégica: continuar reagindo aos problemas, sempre de forma emergencial, ou fortalecer sua capacidade técnica para planejar o futuro. Ter mais engenheiros na administração municipal é condição indispensável para que a cidade funcione melhor hoje e esteja preparada para os desafios de amanhã.

Se optar seguir por esse caminho voltado ao desenvolvimento urbano e à qualidade de vida dos seus cidadãos, a capital paulista pode também ser um bom exemplo para as demais cidades brasileiras.

Essa batalha é de todos nós.

Murilo Pinheiro. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.