Capital pressiona pra manter jornada

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A Confederação Nacional da Indústria divulgou dia 7 estudo que projeta queda de 0,7% no PIB, equivalente a R$ 76,9 bilhões, caso a escala 6×1 seja abolida. O estudo da CNI é alarmista, visando barrar a medida no Congresso.

Jornada – A questão da jornada ou escala de trabalho movimenta órgãos de classe e entidades de pesquisa. Em fevereiro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou análise com indicadores alusivos à alteração na jornada dos brasileiros.

Para o Ipea, o impacto direto da redução pra 40 horas é inferior a 1% do custo operacional da indústria e comércio. Tais setores empregam mais de 13 milhões de pessoas. A diferença entre a queda de 1,2% no PIB industrial projetada pela CNI e o impacto menor que 1% nos custos, segundo o Ipea, explicita as divergências entre capital e trabalho.

Método – A CNI utiliza o modelo de Equilíbrio Geral Computável, assumindo repasse integral de custos e ausência de ganhos de eficiência, projetando resultados negativos. O Ipea reconhece maior custo da hora trabalhada, mas considera que a empresa pode alcançar mais produtividade, com métodos modernos de gestão.

Unicamp – Pesquisa integrante do Dossiê 6×1 indica que reduzir a jornada pra 36 horas pode gerar 4,5 milhões de vagas e também aumentar a produtividade em 4%. Em contraposição à CNI, a Unicamp conclui que a mudança não reduz o PIB, e sim potencializa o crescimento nacional.

Brasil – Presidente da CNI, Ricardo Alban defende que não é momento de alterar a jornada, alegando baixa produtividade atual. Tal argumento ignora que a transição de 48 pra 44 horas semanais, em 1988, não provocou danos ao mercado. Pelo contrário, dados mostram que a economia absorveu a mudança sem explosão inflacionária ou desemprego. A resistência patronal atual reproduz aquele padrão, ou seja, foco no custo imediato e descaso com o avanço nas relações de trabalho.

Preços – Para a CNI, a mudança na jornada elevaria em 6,2% os preços ao consumidor – supermercados 5,7%; vestuário e calçados, 6,6%. Tais índices enchem de argumentos a grande mídia, ignorando dados do Ministério do Trabalho, para quem o impacto direto sobre a folha de pagamento será de 4,7%. Mais: hoje, grande parte das empresas já opera com jornadas inferiores a 44 horas. Dados do governo indicam que cerca de 2/3 dos trabalhadores formais – 29,7 milhões – cumprem jornadas inferiores a 44 horas.

Pressão –Alban sustenta a separação entre o debate técnico e o calendário eleitoral. Argumenta que as matérias não devem ser aprovadas sob pressão. Porém, 73% dos brasileiros aprovam o fim da jornada 6×1, mostra pesquisa da Nexus.

Conclat – Redução de jornada e fim da escala 6×1 serão as grandes bandeiras da Marcha em Brasília, dia 15.

MAIS – Sites do Dieese, CNI e das Centrais.