A data histórica do 1º de Maio ganha este ano um significado especial. Vamos reforçar nas ruas a mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 – jornada desumana que rouba convívio familiar, saúde e lazer dos trabalhadores.
Vamos também comemorar. Apesar dos pesares, conquistamos avanços concretos, como a retomada da política de valorização do salário mínimo – destruída em governos anteriores. Isso significa comida na mesa e dignidade.
Outra vitória: isenção do Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil. Quem vive do suor do próprio rosto não pode pagar imposto enquanto os super-ricos ficam isentos.
São conquistas que mostram que, quando nos unimos, avançamos.
Mas não podemos parar por aí. O 1º de Maio é festa e trincheira. Nossa principal reivindicação hoje é a redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte de salário, enterrando de vez a escala 6×1. Essa pauta já foi abraçada pelo presidente Lula e tramita no Congresso por meio de projetos de lei e propostas de emenda à Constituição. Agora, precisamos de pressão nas ruas para que deputados e senadores sintam o peso da vontade popular.
Vale lembrar a origem do feriado: 1886, em Chicago. Os trabalhadores tinham jornadas de até 16 horas diárias, crianças eram exploradas e não havia descanso semanal. Exigiram a jornada de oito horas. A repressão foi brutal – houve mortos, feridos e vários líderes foram condenados à morte. Mas a luta ecoou e se transformou em conquistas. O que hoje relembramos para que não se esqueça que cada direito que temos foi conquistado com sangue, suor e união.
Hoje, a luta é contra patrões que não querem ceder nenhum direito a mais. Dizem que a redução vai quebrar a economia. Mentira! Quem quebra o trabalhador e a trabalhadora é a escala 6×1, que adoece, afasta da família e nos impede de viver. Queremos tempo para quem amamos, para o lazer, a cultura e também para a política. Trabalho decente é aquele no qual sobra tempo para a vida.
Portanto, companheiros: frentistas, atendentes, auxiliares – não percamos essa oportunidade. Nossa união é a única força eficiente contra o poder do patrão. É luta de classes, sim – e estamos do lado certo da história.
A luta é nossa – e a vitória será de todos nós!
Eusébio Luís Pinto Neto. Presidente do Sinpospetro RJ e da Federação Nacional dos Frentistas.









