Crescem vagas formais para mulheres negras

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O mercado de trabalho formal brasileiro registra um aumento na contratação de mulheres em empresas de maior porte entre 2023 e 2025. O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado na segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres, mostra que o número de trabalhadoras em estabelecimentos com 100 ou mais funcionários cresceu 11%, saltando de 7,2 milhões para 8 milhões. São mais 800 mil novas contratações.

Ritmo – O principal destaque foi o avanço das mulheres pretas e pardas contratadas: foram 29% no período, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões. Representa mais de um milhão de novas vagas em empresas de grande porte, confirmando a aceleração estatística em comparação com o conjunto das mulheres.

Os dados revelam que as disparidades salariais, as políticas de transparência, a valorização do salário mínimo e ação sindical são fatores essenciais para distribuir renda. “A universalização de creches e ampliação do auxílio paternidade evita que o cuidado das famílias recaia só sobre mulheres, garantindo sua permanência e equidade no mercado”, analisou Rodolfo Viana, economista responsável pela Subseção do Dieese no Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.

RAIS – Os números foram extraídos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e abrangeram 53,5 mil empresas, volume 5,5% superior ao de 2023. O emprego total nesses estabelecimentos avançou 7%, atingindo 19,3 milhões de postos. As empresas com mais de mil funcionários lideraram o crescimento.

Desafios – O balanço revela avanços expressivos no volume de contratações, especialmente entre mulheres negras. No entanto, persistem obstáculos estruturais relacionados à qualidade das vagas, à progressão na carreira e à equiparação salarial efetiva. Embora o acesso ao emprego formal tenha se ampliado, a redução das desigualdades remuneratórias, tanto de gênero quanto raciais, permanece como desafio central.

Inclusão – O relatório aponta progressos na ocupação de cargos de liderança: o número de empresas com mulheres em posições de gerência e direção cresceu 12%. Houve também maior adoção de práticas de promoção feminina, apoio à parentalidade e contratação direcionada.

Cerca de 7% das empresas incluíram políticas específicas de contratação de mulheres em situação de violência doméstica. Minas Gerais e Espírito Santo lideram nesse quesito e também se destacam em iniciativas voltadas ao público LGBTQIAP+. Rondônia registra políticas mais robustas para mulheres com deficiência, enquanto o Pará aparece com maior ênfase em ações para mulheres negras.

A participação das mulheres no total de rendimentos subiu de 33,7% para 35,2%, sinalizando leve ganho de espaço econômico.

Os dados de 2025 indicam que o Brasil ampliou oportunidades para as trabalhadoras, com ritmo mais intenso entre as negras. Ainda assim, transformar esse crescimento quantitativo em equidade real de remuneração e oportunidades segue como tarefa pendente para o mercado de trabalho formal brasileiro.

MAIS – Secom