Carta aos senadores – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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Esta mensagem é para o Astronauta Marcos Pontes, para Mara Gabrilli e Alexandre Giordano. São os três senadores que representam o Estado de São Paulo no Congresso Nacional.

Os três vão votar a favor ou contra a PEC que reduz a jornada de trabalho pra 40 horas semanais e também acaba com a escala 6×1. A matéria já foi aprovada na Câmara dos Deputados, dia 27 de maio. Falta o Senado.

Prezados senhores:

É dura a vida do trabalhador e mais difícil ainda a vida da trabalhadora. Gostaria que os senhores olhassem a realidade dos fatos e votassem a favor dos interesses da maioria, conforme os argumentos a seguir:

1 – Exaustão. A rotina de trabalho numa fábrica, supermercado ou numa empresa de transporte coletivo (entre outras) é cansativa e até massacrante. Só no ano passado, o INSS afastou 546 mil pessoas devido a transtornos mentais gerados no trabalho. Mas a fila de pedidos é muito maior.

2 – Acidentes. A jornada excessiva gera grande número de acidentes de trabalho, com mutilações e sequelas. Muitos são fatais. Em 2005, foram registrados 806.011 acidentes. Dos quais, 3.644 foram fatais. Observem que a maioria dos acidentes ocorre no final das jornadas ou durante as horas extras.

3 – Transporte. Na Grande São Paulo, o trabalhador gasta em média duas horas e 47 minutos no transporte para o trabalho, ida e volta. Além de demorado, o transporte é precário, quase sempre com trens, metrô e ônibus lotados e atrasados. A massa humana fica espremida dentro dos veículos, o que gera estresse, constrangimentos, assédio e outros problemas recorrentes.

4 – Mulher. A trabalhadora é quem mais sofre nos ambientes de trabalho, onde ganha menos que o homem e é vítima frequente de assédio moral e sexual. Sofre mais também no transporte de má qualidade, demorado e padrão lata-de-sardinha. Essa trabalhadora quase sempre cuida da casa e dos filhos, quando não também de um parente idoso. Ou seja, enfrenta dupla jornada.

5 – Produtividade. Certos economistas ou mesmo patrões citam suposta baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Mas como ter produtividade alta num ambiente desses, ou seja, com salário baixo, transporte precário e más condições de trabalho? O patrão vai trabalhar de carro. Chega na hora que quer, sai quando bem entende, e não tem chefe fazendo pressão.

Somos um país de livre mercado, mas a propriedade não pode tudo e o proprietário das máquinas ou do estabelecimento não é dono de seus empregados.

Permitam-me uma provocação: Quantos dias por semana trabalha em Brasília um senador? Quantos dias de recesso tem o parlamentar? Qual dos senhores se desloca em transporte coletivo? Qual dos senhores ganha pouco, a ponto de ter que contar centavos?

Pensem nisso na hora de votar ou de opor obstáculo ao fim da escala 6×1 e à redução da jornada pra 40 horas.

Pensem e sejam conscientes, senhores.

Atenciosamente,

Josinaldo José de Barros. Presidente.

Pela Diretoria Metalúrgicos em Ação.