O ser humano tem várias necessidades. De trabalho, renda, abrigo, saúde, afeto, educação, de segurança e muitas outras. Mas pense: que necessidade o ser humano tem de jogar? Nenhuma. Portanto, essa necessidade é artificial. É criada por sistemas econômicos, esquemas políticos ou por ambos.
É o caso das “bets”, termo que vem do inglês e significa apostar. As apostas também são conhecidas por “jogos de azar”. Azar de quem? Do jogador, claro, pois o dono da banca (e agora das plataformas de jogos pela internet) nunca perde.
As bets entraram com força no Brasil em 2018, durante o governo Temer. Operaram com toda liberdade. Sem regulamentação. E sem pagar imposto. Em 2023, o governo aprovou uma primeira regulamentação e impôs controle fiscal. Mas a “bb” – bancada das bets – já estava forte no Congresso Nacional, travando medidas mais duras.
No dia 2 de agosto, a Folha de S. Paulo deu em manchete: “Vício em bets afeta empresas com funcionários endividados e faltas”. A manchete era verdadeira. Mas o jornal não colocou o dedo na ferida. Ou seja, não denunciou que essas plataformas são uma forma de exploração e opressão da pessoa, da família e da coletividade.
A grande imprensa e a direita vivem dizendo que defendem a família. E a família é duramente afetada pela jogatina, levando o caos a pais, esposas, maridos, irmãos ou filhos do viciado. Soube que a bancada do PT pede a proibição total das bets. Estou de acordo, mas demorou demais! Agora, a lagartixa virou crocodilo.
As perdas pela jogatina são chocantes. Em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com as bets. Equivale a nove Orçamentos Municipais de Guarulhos do mesmo ano de 2025, que foi de R$ 6,8 bilhões. É muito dinheiro jogado fora. É muita ilusão virando fumaça. É muita desagregação pessoal, familiar e social.
Chega! Minha opinião é de que as bets devem ser banidas. E que os responsáveis sejam julgados e presos, devolvendo o dinheiro obtido pela jogatina criminosa.
Todos nós podemos combater as bets. A primeira coisa a ser feita é não jogar. A segunda é orientar os familiares e amigos e ficar longe do vício que desgraça a vida emocional, psíquica, profissional, familiar e social da pessoa. Outra providência é massificar pelas redes sociais nossa indignação contra esse vício. Devemos também boicotar programas de rádio e TV e personalidades que fazem propaganda de bets.
E a mídia? Tem culpa no Cartório. A Constituição define comunicação como “comunicação social”. Ou seja, rádio, TV e jornal têm responsabilidade civil e criminal sobre o que divulgam e massificam. No meu entender, a grande mídia comete crime contra a sociedade ao fazer propaganda das bets, enganando que se trata de um inocente passatempo.
Convoca todos a fazer uma corrente contra as bets. Essa praga!
Josinaldo José de Barros (Cabeça) – Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.









