A campanha salarial nacional dos bancários é um processo complexo, que vai além do tradicional protocolo da pauta econômica e apresentação das cláusulas sociais para eventual Convenção Coletiva. A Agência Sindical falou com Juvândia Moreira, presidente da Confederação Contraf-CUT, que coordena a mesa de negociações pela bancada nacional dos trabalhadores.
A data-base da categoria, em torno de 400 mil, é 1º de setembro. Na prática, há duas mesas nacionais de negociação. Essa outra é conduzida pela Confederação Contec e entidades filiadas.
Dia 13 – No que diz respeito à Contraf-Cut, a entidade espera uma contraproposta patronal mais concreta para a próxima mesa, dia 13 (quinta). Até lá, os bancos já terão publicado seus balanços semestrais – a lucratividade se mantém alta.
A categoria bancária tem forte tradição de participação. Isso ficou demonstrado, mais uma vez, na pesquisa conduzida pela Contraf, da qual participaram mais de 50 mil integrantes do setor. Afora essa enquete, a Contraf também conta com o apoio de um instituto que aponta demandas, problemas e outros fatores locais ou regionais.
Segundo Juvândia, “a principal reivindicação apontada no levantamento nacional é por melhoria de salários e Pisos”. Outro item em negociação, e que gera demoradas discussões na mesa com Fenaban, é quanto ao valor da PLR – Participação nos Lucros e/ou Resultados.
Juvândia conta: “Quando conseguimos a primeira PLR, em 1995, os bancos gastavam 14% de seus ganhos na distribuição de lucros. Hoje, estamos lutando pra que o benefício fique perto de 6%. Ou seja, os bancos estão gastando menos no pagamento da PLR e nós queremos consertar essa regra”. A categoria recebe PLR em duas parcelas.
Na verdade, o valor é apurado em duas vezes, isso porque os bancos publicam balanços semestrais. O primeiro pagamento, como antecipação, reflete aquele semestre. Após o fechamento do segundo, sai a outra parcela, geralmente entre fevereiro e março.
Juvândia Moreira comenta: “Como o valor da PLR é considerável, os trabalhadores aguardam esse pagamento ser depositado, para a compra de bens, quitação de parcelas e outros compromissos assumidos”.
Bancários e bancárias buscam também aumento no valor do VR ou VA. “Hoje o tíquete médio custa R$ 56,00, enquanto o nosso está em R$ 53,00. Ocorre que a grande maioria da categoria trabalha em cidades mais caras, como São Paulo, Rio e Brasília. Queremos aumento compatível”, afirma a presidenta da Contraf-CUT.
Agências – Os bancos passam por uma fase de enxugamento, com a redução de agências. O comando da categoria vê com preocupação esse fato. “Fechamentos podem gerar demissões em massa e é isso que queremos evitar”, afirma a dirigente. A Contraf pede a suspensão do fechamento de agências.
De todo modo, ao fechar agências, o desemprego aumenta. A Contraf propõe medidas que reduzem esse impacto, como cursos de qualificação e requalificação profissional. Outra ideia é a criação do “banco de talentos”, que seria um mecanismo a ser acionado na busca de profissionais qualificados ou especializados. Para a Contraf, caberia também um programa de realocação desses profissionais e isso está em debate na mesa nacional. “Não se joga fora experiência e conhecimento”, observa Juvândia.
NR-1 – A negociação coletiva deste ano aborda a aplicação efetiva da nova Norma Regulamentadora número 1. A nova NR-1 engloba os transtornos mentais derivados do trabalho. Segundo a presidente da Contraf-CUT, “esse assunto avançou nas negociações”. A ideia é resolver as questões nas comissões por empresa. Caso não haja solução, o problema é encaminhado à mesa nacional.
Mulheres – A negociação coletiva entre o comando nacional dos bancários e a Fenaban também avalia as diferenças que lesam a trabalhadora. A bancária negra é a mais prejudicada. De acordo com Juvândia, há preconceito e assédio, sim, “inclusive por parte de clientes”. As partes discutem um programa de mentoria e especialização para essas mulheres.
Decisão – A campanha nacional dos bancários é sempre decidida por assembleia nas bases dos Sindicatos – geralmente em formato híbrido. Na reta final, se realiza a assembleia nacional, também híbrida. No ano passado, votaram 120 mil bancários.
MAIS – Site da Contraf-CUT e dos Sindicatos dos Bancários de São Paulo









