Quando se entra numa luta, independentemente do resultado, a pergunta que se impõe é se, ao final da contenda, estamos mais fracos ou mais fortes.
O sindicalismo responde afirmativamente a essa pergunta, após longas e intensas mobilizações nas bases e também junto ao Congresso Nacional, a fim de aprovar a PEC 221 – que acaba com a escala 6×1 e estabelece jornada de 40 horas.
“Avalio que saímos mais fortes, mais reconhecidos perante o Poder Legislativo e também mais bem avaliados pela sociedade”, pondera Clemente Ganz Lucio, coordenador do Fórum das Centrais.
O sindicalismo conseguiu uma primeira vitória, na Câmara Federal, com aprovação maciça da PEC. Outro avanço ocorreu dia 31, no Senado, quando a Comissão de Constituição e Justiça aprovou a PEC, que ainda precisa ser apreciada pelo Plenário da Casa.
Clemente também considera que todo esse trabalho tornou mais forte a coesão entre as entidades de classe. Nessa fase, as Centrais agregaram à luta o Fórum Sindical de Trabalhadores (FST), que é forte junto às Confederações.
Pauta – Para o coordenador do Fórum das Centrais (que durante anos foi o coordenador-técnico do Dieese), a pauta sindical ganhou relevância perante a população. Ele observa: “Pesquisas mostram que mais de 80% das pessoas apoiam o fim da escala 6×1 e a redução da jornada pra 44 horas”.
A votação da PEC 221 no Senado deve ficar para depois das eleições, sinaliza Davi Alcolumbre, presidente da Casa. O movimento sindical tem pressa, enquanto a direita e os setores empresariais manobram e tentam empurrar para o futuro a decisão sobre escala e jornada.
Durante toda a fase de debates, na Câmara ou no Senado, o empresariado jogou pesado contra a PEC 211. “Travamos uma luta desigual, porque as representações patronais têm muitos recursos, enquanto as entidades de trabalhadores estão sem meios, que foram cortados na reforma trabalhista de Temer, em 2017”, comenta Clemente.
Nas últimas semanas, entidades como a CNI e a CNC, atuaram fortemente dentro do Congresso Nacional. O setor patronal também conseguiu repercutir na mídia suas posições acerca do fim da 6×1 e redução da jornada pra 40 horas. Ou seja, foi uma luta desigual.
Saldo – O diálogo com deputados e senadores, de diferentes partidos, ampliou a articulação sindical no Congresso e também junto ao governo. Para Clemente Ganz, esse acúmulo será importante no futuro, seja na votação da PEC no plenário do Senado, seja quanto a outras matérias de interesse da classe trabalhadora.
Lula – O presidente da República, até onde pôde, entrou em campo a favor da PEC 221, vale dizer, pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada, que não ocorre há 38 anos, quando foi promulgada a Constituição Federal. Nos próximos passos visando à votação pelo Plenário do Senado, o sindicalismo espera contar com o apoio de Lula.









