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sábado, 28/03/2026

A carestia voltou – Josinaldo Barros

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Nos anos 80, o sindicalismo combateu fortemente a carestia.
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Ou seja, o aumento generalizado do custo de vida, que enfraquecia as finanças da família.

Essa carestia era agravada pela política salarial do regime militar, que havia adotado o arrocho como meta oficial de governo.
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Como havia repressão ao sindicalismo e aos movimentos sociais, os trabalhadores sofriam triplamente, ou seja: carestia, arrocho e a ditadura.

No governo Itamar Franco, o Plano Real estabilizou a economia, embora não tenha trazido ganho salarial continuado. Mas a inflação foi controlada. E assim ficou nos governos seguintes. Agora, com Bolsonaro, infelizmente, o que parecia ser um repique inflacionário mostra que é mais: é carestia.

Que preços e tarifas subiram absurdamente? Primeiro, a cesta básica. Depois, a conta de luz e agora o gás, a gasolina e o óleo diesel. Esses aumentos vão elevar a inflação e empobrecer as pessoas, que precisarão gastar mais pelo que consumiam antes. Gás de cozinha, por exemplo, não tem como economizar.

E não adianta o governo colocar a culpa na guerra Rússia-Ucrânia. Até porque faz dois anos que a conta de luz vem subindo. A cesta básica fechou 2021 com aumento médio de 14%, informa o Dieese. E, em dezembro, não havia guerra.

O governo não eleva sozinho o custo de mercadorias e serviços, mas aumenta os chamados preços administrados. Quem sobe preços é o mercado. O papel real de um governo é atuar junto ao mercado pra impedir abusos. Bolsonaro faz isso? Não temos visto. Pelo contrário: ele lava as mãos.

O custo de vida está alto em toda a nossa região, mas em Guarulhos poderia estar pior se o IPTU do prefeito Guti estivesse em vigor. E o IPTU só não está sangrando o bolso da população porque o PDT e o deputado estadual Marcio Nakashima conseguiram impedir na Justiça o aumento no imposto.

Comecei esse artigo falando da luta contra a carestia nos anos 80. Sabe quem era a linha de frente dessa luta? Eram as mulheres, principalmente através de suas associações ou de grupos que atuavam com apoio das igrejas, especialmente da Católica.
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Digo isso porque estamos no Março-Mulher, um período em que as lutas femininas ganham projeção. Portanto, tomo a liberdade de sugerir que as mulheres agreguem à sua pauta o combate ao custo de vida, até porque é a dona de casa que sabe quanto custa o arroz e o feijão.

Na campanha salarial, conseguimos repor a inflação de 11,08% e um abono de 26%. Isso ajudou muito. Como ajudam também os acordos de PLR que fechamos na base quase todo dia. Mas, se a carestia não for controlada, o Sindicato fica enxugando gelo, pois o ganho de hoje é comido pela inflação de amanhã.

Temos, portanto, que acabar com a carestia. Se isso exigir a troca de governo, vamos trocar. Queremos distância de governo ruim e de inflação alta.

Clique aqui e leia mais artigos de Josinaldo Barros (Cabeça).

Josinaldo - Cabeça
Josinaldo - Cabeça
Josinaldo José de Barros (Cabeça), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região Email - josinaldo@metalurgico.org.br

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