Corrigir a tabela do IR é distribuir renda

Data:

Compartilhe:

A falta de correção de tabela de renda IR (Imposto de Renda), combinada com aumento da inflação, tem resultado um aumento histórico da tributação sobre os trabalhadores, principalmente os menos favorecidos economicamente.

É importante ressaltar que já se iniciou-se as campanhas salariais das categorias com data-base no segundo semestre. Com isso, milhares de trabalhadores que estão isentos – hoje R$ 1.903,98 – passarão a ser tributados após os reajustes serem aplicados. Destaco: A defasagem faz também com que muitos contribuintes mudem de faixa de renda após reajustes salariais, e passem a pagar uma alíquota mais elevada em relação ao ano anterior.

Para se ter uma ideia: No acumulado de 12 meses em junho, o IPCA, índice oficial da inflação , chegou a 11,89%. E um levantamento feito por feito auditores da receita federal mostra um defasagem da tabela chega a 147,37%, considerando o período de 1996, ano que a tabela deixou de sofrer reajustes anuais. Pequenas correções foram feitas em 2005 e 2015.

Durante Bolsonaro, a defasagem está acumulada em 26,6%, até junho. A tabela é a mesma há 7 anos. É um absurdo. Não corrigir a tabela é uma forma de aumentar o imposto para essa numerosa parcela da população.

A luta do movimento sindical pela correção da tabela do Imposto de Renda é uma luta por justiça social, tendo em vista que a política tributária é um dos principais instrumentos de distribuição de renda.

No Brasil, porém, ainda estamos longe dessa prática. Anualmente, a tabela vem sendo corrigida por índices abaixo da inflação, levando um grande contingente de trabalhadores, antes isentos, a pagar imposto, enquanto outros que já pagam passam a pagar mais, corroendo os reajustes salariais conquistados.

Por isso, o debate sobre a correção do Imposto de Renda é tão importante para a reorganização do nosso sistema tributário em bases mais justas.

Temos cobrado a correção real da tabela, mas o governo também não atendeu esta justa reivindicação. Este descaso, contudo, não impedirá de continuarmos intensificando a luta para defender os trabalhadores.

As incertezas, hoje, são muitas: o dragão da inflação está de volta. Os juros estão em patamares proibitivos. O desemprego começa a mostra sua cara assustadora. O gás e a gasolina estão com preços nas alturas. O leite, então, nem se fala.

É preciso unir nossas vozes por mudanças já. Há tempos, o movimento sindical cobra a correção anual da tabela do IR.

Corrigir a tabela do IR é uma forma de distribuir renda!

Conteúdo Relacionado

Eleições, Joio e Trigo – Eusébio Luis Pinto Neto

Na democracia, o cidadão é livre pra escolher seu partido, seu candidato, sua corrente ideológica. Essa liberdade é sagrada e deve ser respeitada por...

Churchill votaria pela jornada de 40 horas. E a direita brasileira? – Marcos Verlaine

O liberal-conservador britânico defendia o Estado na proteção do trabalho e do bem-estar. Posição distante do neoliberalismo que domina grande parte da direita brasileira.Se...

Se a CLT não cabe no bolso, o problema não é o jovem – Marcos Verlaine

Para reconquistar a juventude, a CLT precisa oferecer renda, direitos, perspectiva e flexibilidade, sem transformar precarização em liberdade nem proteção em privilégio.No artigo “Quando a...

Três categorias – João Guilherme Vargas Netto

Quero escrever sobre três categorias de trabalhadores - comerciários, bancários e metalúrgicos do setor automotivo - grandes e presentes em todo o Brasil, com...

E-mail Whatsapp Telegram Google News Trabalho A crise é da empresa; a conta não pode ser só do trabalhador – Lourival Figueiredo Melo

Quando uma grande empresa entra em crise, uma pergunta quase nunca aparece nos balanços: quem vai pagar a conta?O caso das Casas Bahia colocou...